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São Paulo (cidade) Município de São Paulo "Terra da garoa" "Sampa" Brasão de São Paulo Bandeira de São Paulo Brasão Bandeira Hino Aniversário {{{aniversário}}} Fundação 25 de Janeiro de 1554 (454 anos) Gentílico paulistano Lema Non dvcor dvco "Não sou conduzido, conduzo" Prefeito(a) Gilberto Kassab (DEM) Localização Localização de São Paulo [mostrar a localidade num mapa interactivo] 23° 32' 52" S 46° 38' 09" O23° 32' 52" S 46° 38' 09" O Estado São Paulo Mesorregião Metropolitana de São Paulo Microrregião São Paulo Região metropolitana São Paulo Municípios limítrofes Oeste: Cajamar, Cotia, Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, Osasco, Santana de Parnaíba e Taboão da Serra; Norte: Caieiras, Guarulhos e Mairiporã; Leste: Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba e Poá; Sudeste: Diadema, Mauá, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul; Sul: Itanhaém e São Vicente. Características geográficas Área 1.522,986 km² População 10.990.249 hab. (SP: 1º) - est. IBGE/2008 [1] Densidade 7.216,3 hab./km² Altitude 792 metros Clima subtropical Cwa Fuso horário UTC-3 Indicadores IDH 0,841 (SP: 18°) - elevado PNUD/2000 PIB R$ 263.177.148 mil (BR: 1º) - IBGE/2005 [2] PIB per capita R$ 24.174,59 IBGE/2005 [2] São Paulo, capital do estado homônimo, é a maior cidade do Brasil, das Américas e de todo o hemisfério sul[3]. Uma das cidades brasileiras mais influentes no cenário global, São Paulo é considerada a 14ª cidade mais globalizada do planeta[3], recebendo o status de cidade global beta, por parte do Globalization and World Cities Study Group & Network (GaWC).[4] A cidade é mundialmente conhecida, e exerce significativa influência nacional e internacional, seja do ponto de vista cultural, econômico ou político. Conta com importantes monumentos e museus, como o Memorial da América Latina, o Museu da Língua Portuguesa, o MASP, o Parque Ibirapuera e a avenida Paulista, e eventos de grande repercussão, como a Bienal Internacional de Arte, o Grande Prêmio do Brasil e o São Paulo Fashion Week. Décima nona cidade mais rica do mundo, o município representa, isoladamente, 12,26% de todo o PIB brasileiro[5] e 36% de toda a produção de bens e serviços do estado de São Paulo, sendo sede de 63% das multinacionais estabelecidas no Brasil.[6] Sua região metropolitana possui 19.223.897 habitantes[7], o que a torna a sexta maior aglomeração urbana do mundo.[8] O lema da cidade, presente em seu brasão oficial, é constituído pela frase em latim "Non ducor, duco", cujo significado em português é "Não sou conduzido, conduzo". Regiões muito próximas a São Paulo são também regiões metropolitanas do estado, como Campinas e Baixada Santista; outras cidades próximas compreendem aglomerações urbanas em processo de conurbação, como São José dos Campos, Sorocaba e Jundiaí. A população total dessas áreas somada à da capital – o chamado Complexo Metropolitano Estendido – ultrapassa 29 milhões de habitantes, aproximadamente 75% da população do estado inteiro. * 1 Visão geral * 2 História o 2.1 Período colonial o 2.2 Período imperial o 2.3 República Velha o 2.4 Século XX * 3 Geografia o 3.1 Municípios limítrofes e região metropolitana o 3.2 Clima * 4 Demografia o 4.1 Tipo físico da população o 4.2 Etnias o 4.3 Religião * 5 Política municipal o 5.1 Subdivisões * 6 Economia o 6.1 Turismo * 7 Estrutura urbana o 7.1 Tecidos urbanos o 7.2 Mobilidade urbana e acessibilidade o 7.3 Planejamento urbano o 7.4 Infra-estrutura urbana * 8 Educação e ciência o 8.1 Indicadores o 8.2 Ensino superior o 8.3 Principais institutos de pesquisa * 9 Cultura o 9.1 Música o 9.2 Artes cênicas o 9.3 Museus o 9.4 Esportes * 10 Problemas atuais o 10.1 Déficit habitacional e esvaziamento das áreas centrais o 10.2 Segregação sócio-espacial o 10.3 Violência o 10.4 Poluição ambiental * 11 Curiosidades * 12 Relações internacionais * 13 Referências o 13.1 Bibliográficas * 14 Ver também * 15 Ligações externas Visão geral São Paulo é um grande centro cultural e de entretenimento e a cidade mais rica da América do Sul [9]. A cidade enfrenta problemas comuns a outras metrópoles: um exemplo é o excesso de automóveis que circulam em suas avenidas (média de um veículo para cada dois habitantes), 6 milhões de unidades somente na capital, e a maior frota de helicópteros do mundo.[10] A variedade oferecida em seus restaurantes e lanchonetes é resultado, em parte, da contribuição de imigrantes de diversas partes do mundo. Série temática sobre a Cidade de São Paulo História Política Economia Cultura Mobilidade Turismo Subdivisões Região metropolitana Geograficamente, as regiões mais próximas do centro em São Paulo são em geral mais ricas e desenvolvidas, enquanto as regiões mais afastadas tendem a ser mais pobres e mais carentes de infra-estrutura urbana e habitacional. Devido a sua extensa área urbana, a cidade possui um caráter bastante heterogêneo, variando de regiões altamente adensadas e verticais a bairros residenciais horizontais e de baixíssima densidade. Isto faz com que muitos habitantes da cidade praticamente desconheçam regiões do município além dos seus locais de residência ou de trabalho. A cidade também apresenta uma cultura bastante heterogênea, resultado da diversidade de extratos sociais (econômicos e culturais) nela presente. Os três principais rios que cruzam a cidade de São Paulo são o Tietê, o Pinheiros e o Tamanduateí. Tais rios foram protagonistas em momentos diversos do processo de desenvolvimento da cidade: seja em sua formação, seja no período de industrialização. Além de ser o maior centro de produção e o maior mercado consumidor do país, São Paulo também é um grande entroncamento rodoviário, e faz a ligação Norte-Sul do Brasil. É atendida por diversas rodovias, como a Rodovia Presidente Dutra, para o Rio de Janeiro, Rodovia Ayrton Senna, para o Vale do Paraíba; Rodovia Fernão Dias, para Belo Horizonte; Rodovia dos Bandeirantes, para Campinas; Rodovia Anhangüera, para Uberaba (Minas Gerais); Rodovia Castelo Branco, para Sorocaba; Rodovia Raposo Tavares, para a divisa do Mato Grosso do Sul; Rodovia Régis Bittencourt, para Curitiba; Rodovia dos Imigrantes e Rodovia Anchieta para a Baixada Santista. É servida pelos aeroportos Campo de Marte, Congonhas, Cumbica e Viracopos em Campinas, sendo que estes dois últimos também são aeroportos internacionais e de carga. Contemplada por grande número de universidades e institutos, é também o maior pólo de pesquisa e desenvolvimento do Brasil, responsável por 28% da produção científica nacional – segundo dados de 2005.[11] Foto panorâmica do lago do Parque Ibirapuera. História Ver artigo principal: História da cidade de São Paulo Período colonial Pátio do Colégio, construção implantada em sítio que se considera o primeiro a ser ocupado na cidade A vila de São Paulo de Piratininga teve início em 25 de janeiro de 1554 com a construção de um colégio jesuíta, pelos padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Tal colégio, que funcionava num barracão feito de taipa de pilão, tinha por finalidade a catequese dos índios que viviam na região. O povoamento da região teve início em 1560, quando, por ordem de Mem de Sá, governador-geral da colônia, mandou a população da vila de Santo André da Borda do Campo para os arredores do colégio, denominado "Colégio de São Paulo de Piratininga" – o nome foi escolhido porque dia 25 de janeiro a Igreja Católica celebra a conversão do apóstolo Paulo de Tarso. Desta forma, a vila de Santo André da Borda do Campo foi extinta, e São Paulo foi elevada à categoria de vila. São Paulo permaneceu, durante os dois séculos seguintes, como uma vila pobre e isolada do centro de gravidade da colônia, que se mantinha por meio de lavouras de subsistência. Por ser a região mais pobre da colônia, em São Paulo teve início a atividade dos bandeirantes, que se dispersaram pelo interior do país à caça de índios, de ouro e de diamantes. A descoberta do ouro na região de Minas Gerais fez com que as atenções do reino se voltassem para São Paulo, que foi elevada à categoria de cidade em 1711. Quando o ouro esgotou, no final do século XVIII, teve início o ciclo paulista do açúcar, que se espalhou pelo interior da província, e a cidade de São Paulo tinha a finalidade de escoar a produção para o porto de Santos. Período imperial São Paulo em 1821. Aquarela de Arnaud Julien Pallière, representando a Várzea do Carmo. Após a Independência do Brasil, São Paulo recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por Dom Pedro I do Brasil em 1823. Em 1827, houve a criação dos cursos jurídicos no Convento de São Francisco (que daria origem à futura Faculdade de Direito do Largo de São Francisco), e isso deu um novo impulso de crescimento à cidade, com o fluxo de estudantes e professores, juntamente com o crescimento da produção do café nas regiões de Campinas, Rio Claro, São Carlos e Ribeirão Preto, graças a qual a cidade passa a ser denominada Imperial Cidade e Burgo dos Estudantes de São Paulo de Piratininga. De meados desse século até o seu final, foi o período que a província começou a receber uma grande quantidade de imigrantes, em boa parte italianos, dos quais muitos se fixaram na capital, e as primeiras indústrias começaram a se instalar. De meados do século XIX em diante, São Paulo passa a se beneficiar da ferrovia que liga o interior do estado de São Paulo ao porto de Santos. A facilidade de exportar o café permite à cidade e ao estado de São Paulo um grande crescimento econômico. Mas é com o fim do Segundo Reinado e início da República que a Cidade de São Paulo, assim como o estado de São Paulo, tem grande crescimento econômico e populacional, também auxiliado pela política do café-com-leite. República Velha Vale do Anhangabaú em 1920, foto de Guilherme Gaensly. O auge do período do café é representado pela construção da segunda Estação da Luz (o atual edifício) no fim do século XIX. Neste período, o centro financeiro da cidade desloca-se de seu centro histórico (região chamada de "Triângulo Histórico") para áreas mais a Oeste. O vale do Rio Anhangabaú é ajardinado e a região do outro lado do rio passa a ser conhecida como Centro Novo. Os melhoramentos realizados na cidade pelos administradores João Teodoro e Antônio Prado contribuem para o clima de desenvolvimento: alguns estudiosos consideram que a cidade inteira foi demolida e reconstruída.[12] Século XX Com o crescimento industrial da cidade, no século XX, a área urbanizada da cidade passou a aumentar, sendo que alguns bairros residenciais foram construídos em lugares de chácaras. O grande surto industrial se deu durante a Segunda Guerra Mundial, devido à crise na cafeicultura e às restrições ao comércio internacional, o que fez a cidade ter uma taxa de crescimento muito elevada até os dias atuais. Atualmente, o crescimento vem se desacelerando, devido ao crescimento industrial de outras regiões do Brasil, e o perfil da cidade vem se transformando de uma cidade industrial para uma metrópole de comércio, serviços e tecnologia, sendo que hoje é considerada a mais importante metrópole da América Latina.[carece de fontes?] Geografia Pico do Jaraguá, o ponto mais alto da capital paulista. São Paulo está localizada junto à bacia do rio Tietê, tendo as sub-bacias do rio Pinheiros e do rio Tamanduateí papéis importantes em sua configuração. São Paulo tem a altitude média de 760 metros. O ponto culminante do município de São Paulo é o Pico do Jaraguá com 1.135m, localizado Parque Estadual do Jaraguá na Serra da Cantareira. Municípios limítrofes e região metropolitana Ver artigo principal: Região Metropolitana de São Paulo Imagem de satélite focalizando a Região Metropolitana de São Paulo. O intenso processo de conurbação atualmente em curso na Grande São Paulo tem tornado inefetivas as fronteiras políticas entre os municípios da região, criando uma metrópole cujo centro está em São Paulo e atinge municípios, como por exemplo, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul (a chamada Região do Grande ABC), Diadema, Osasco e Guarulhos, entre várias outras. Os limites do município são com os municípios de Caieiras e Mairiporã a norte, Guarulhos a nordeste, Itaquaquecetuba, Poá e Ferraz de Vasconcelos a leste, Mauá, Santo André (São Paulo), São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Diadema e novamente São Bernardo a sudeste, São Vicente, Mongaguá e Itanhaém a sul, Juquitiba, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Embu, Taboão da Serra, Cotia e Osasco a oeste e Santana de Parnaíba e Cajamar a noroeste. A Região Metropolitana de São Paulo é constituída por 39 municípios, sendo a terceira maior aglomeração urbana das Américas.[8] Clima O clima de São Paulo é considerado subtropical (tipo Cwa segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual de 19 graus centígrados, tendo invernos brandos e verões com temperaturas moderadamente altas, aumentadas pelo efeito da poluição e da altíssima concentração de edifícios. O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de 22°C e o mês mais frio, julho, de 16°C.[13]. São Paulo é a terceira capital mais fria do Brasil, sendo superada apenas por Curitiba, em primeiro lugar, e Porto Alegre em segundo, superando até mesmo, por conta de sua altitude, a litorânea Florianópolis, que se localiza mais ao sul. Porém, cabe lembrar que Porto Alegre, embora mais quente no verão, possui tanto mínimas absolutas como temperatura média mais baixa no inverno, mas, levando em consideração apenas a temperatura média anual, São Paulo é a segunda capital mais fria, superada apenas por Curitiba. A capital paulista tem também um dos menores índices de insolação do Brasil, com médias de seis horas de insolação diária/mensal em janeiro e sete horas em julho. Temperaturas em °C • Precipitações em mm Fonte: Canal do Tempo Devido a proximidade do mar, a maritimidade é uma constante do clima local, sendo responsável por evitar dias de calor intenso no verão ou de frio intenso no inverno e tornar a cidade úmida. A umidade tem índices considerados aceitáveis durante todo o ano, embora a poluição atinja níveis críticos no inverno, devido ao fenômeno de inversão térmica e pela menor ocorrência de chuvas de maio a setembro. A precipitação anual média é de 1317 mm, concentrados principalmente no verão. As estações do ano são relativamente bem definidas: o inverno é ameno e estio, e o verão, moderadamente quente e chuvoso. Outono e primavera são estações de transição. Geadas ocorrem esporadicamente em regiões mais afastadas do centro, e em invernos rigorosos, em boa parte do município. Também ocorrem freqüentemente em alguns municípios vizinhos. A menor temperatura já registrada oficialmente em São Paulo foi de -2,1°C, em 2 de agosto de 1955 no Mirante de Santana. Já houve ocorrências pontuais de neve na cidade, a única oficialmente registrada foi a 25 de junho de 1918, quando a temperatura atingiu -2°C. Há registros esporádicos não-oficiais que indicam precipitação de neve (na verdade aguaneve) em anos anteriores. A máxima registrada foi de 35,3°C, no dia 15 de novembro de 1985 também no no Mirante de Santana. Existem registros não oficiais de mínima de -3,9°C, também em 2 de agosto de 1955 no Horto Florestal, e de máxima de 36,9°C, no dia 19 de janeiro de 1966 na Barra Funda. Apesar da maritimidade que evita maiores variações de temperatura, a altitude de São Paulo faz com que nos meses mais quentes, sejam poucas as noites e madrugadas quentes na cidade, sendo que as temperaturas mínimas na cidade raramente são superiores a 23°C em um período de 24 horas. No inverno, porém, o ingresso de fortes massas de ar polar acompanhadas de excessiva nebulosidade às vezes fazem com que as temperaturas permaneçam muito baixas mesmo durante a tarde. Tardes com temperaturas máximas variando entre 14°C e 16°C são comuns até mesmo durante o outono e no início da primavera. Durante o inverno, já houve vários registros de tardes em que a temperatura sequer ultrapassou a marca dos 10°C, como em 15 de agosto de 1999[14]. O dia 8 de agosto de 2004 apresentou temperaturas em torno dos 9°C durante o período considerado como o mais quente do dia, entre 15h e 17h[15]. Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais freqüentes, não raro ultrapassando a marca dos 28°C nos meses de julho e agosto. Em julho de 2008, a precipitação de chuva chegou a 0 mm. Demografia Tipo físico da população Segundo o censo de 2000 do IBGE, a população de São Paulo está composta por: brancos (68,0%), pardos (25,0%), pretos (5,1%), amarelos (2,0%) e indígenas (0,2%). Etnias São Paulo é a cidade mais multicultural do Brasil e uma das mais diversas do mundo. Desde 1870, aproximadamente 2,3 milhões de imigrantes chegaram ao estado, vindos de todas as partes do mundo. Europeus Italianos embarcando na Itália com destino ao Brasil, 1910. Ver artigo principal: Imigração italiana no Brasil Ver artigo principal: Imigração portuguesa no Brasil A comunidade italiana é uma das mais fortes, marcando presença em toda a cidade. Dos dez milhões de habitantes de São Paulo, 60% (seis milhões de pessoas) possuem alguma ascendência italiana. São Paulo tem mais descendentes de italianos que qualquer outra cidade italiana (a maior cidade da Itália é Roma, com 2,5 milhões de habitantes). Ainda hoje, os italianos se agrupam em bairros como o Bixiga, Brás e Mooca para promover comemorações e festas.[16] No início do século XX, o italiano e seus dialetos eram tão falados quanto o português na cidade, o que gerou na formação do dialeto paulistano da atualidade[17]. São Paulo é a segunda maior cidade consumidora de pizza do mundo.[18] A comunidade portuguesa também é bastante numerosa, e estima-se que três milhões de paulistanos possuem alguma origem em Portugal.[19]. A colônia judaica representa mais de 60 mil pessoas em São Paulo e concentra-se principalmente em Higienópolis (presença maior) e no Bom Retiro (presença menor, atualmente). A partir do século XIX, e especialmente durante a primeira metade do século XX, São Paulo recebeu também imigrantes alemães (no atual bairro de Santo Amaro), espanhóis e lituanos (no bairro Vila Zelina). Podemos destacar também a importante comunidade armênia, com suas diversas instituições instaladas nas proximidades dos bairros Bom Retiro, próximo a Estação Armênia do Metrô, Imirim e Brás. Os armênios fizeram do comércio e da fabricação de calçados, suas principais atividades. Árabes Ver artigo principal: Imigração árabe no Brasil Uma das colônias mais marcantes da cidade é a de origem árabe. Os libaneses e sírios chegaram em grande número entre os anos de 1900 à 1930. Hoje seus descendentes estão totalmente integrados à população brasileira, embora aspectos culturais de origem árabe marcam até hoje a cultura da capital paulistana. Restaurantes de comida árabe abundam por toda a cidade, vendendo pratos que já entraram definitivamente na culinária brasileira: quibe, esfiha, charutinho de repolho, etc [20]. A Rua 25 de Março foi criada pelos árabes, que eram em sua maioria comerciantes.[21] Asiáticos Bairro da Liberdade, reduto da comunidade japonesa da cidade. Ver artigo principal: Imigração japonesa no Brasil A cidade de São Paulo possui o maior número de pessoas que se declaram de origem asiática (amarelos) do Brasil. Cerca de 456 mil pessoas são de origem oriental [22], dos quais 326 mil são japoneses. A comunidade japonesa da cidade é a maior fora do Japão. Imigrantes vindos do Japão começaram a chegar em 1908, e imigraram em grande número até a década de 1950. A maior concentração de orientais da cidade está no Bairro da Liberdade. Este distrito de São Paulo possui inúmeros restaurantes japoneses, lojas com peças típicas do Japão, e nele vêem-se letreiros escritos em japonês e ouve-se muito o idioma. A colônia coreana da cidade também é notável. São mais de 60 mil pessoas de origem sul-coreana, particulamente concentrados no Bom Retiro, Aclimação e Liberdade. No bairro da Aclimação é possível encontrar diversos restaurantes coreanos, além de locadoras de vídeo e mercearias coreanas. Os chineses são bastante numerosos nos distritos da Zona Central da cidade, como o Brás e a Liberdade. Negros A cidade já contava com população afrodescendente no século XIX, mas foi a partir da segunda metade do século XX que a população negra cresceu rapidamente, através da chegada de pessoas de outros estados brasileiros, principalmente da zona litorânea da Bahia.[23] Outros brasileiros Ver artigo principal: Migração nordestina Com a decadência da imigração européia e asiática após a década de 1930, passou a predominar a vinda de migrantes, em sua maioria oriundos da Região Nordeste do Brasil. A maior parte desse enorme fluxo migratório veio de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Bahia e Norte de Minas Gerais. Evolução demográfica da cidade de São Paulo[24]. Religião Tal qual a variedade cultural verificável em São Paulo, são diversas as manifestações religiosas presentes na cidade. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, tanto devido à colonização quanto à imigração - e ainda hoje a maioria dos paulistanos se declara católica, é possível encontrar atualmente na cidade dezenas de denominações protestantes diferentes, assim como a prática do budismo, do islamismo, espiritismo, entre outras. Nas últimas décadas, o budismo e as religiões orientais tem crescido bastante na cidade. Estima-se que encontram-se mais de cem mil seguidores budistas, seichonoitas, hinduístas, etc. pela cidade. Também são consideráveis as comunidades judaica, e das religiões afro-brasileiras. Catedral Metropolitana de São Paulo, a Catedral da Sé. Religião Porcentagem Número Católicos 68,11% 7.107.261 Evangélicos 15,94% 1.663.131 Sem religião 8,97% 936.474 Espíritas 2,75% 286.600 Budistas 0,65% 67.591 Judeus 0,36% 37.500 Fonte: IBGE 2000 (dados obtidos por meio de pesquisa de autodeclaração).[25] Igreja Católica Romana A Igreja Católica divide o território do município de São Paulo em quatro circunscrições eclesiásticas: a Arquidiocese de São Paulo, a Diocese de Santo Amaro, a Diocese de São Miguel Paulista e a Diocese de Campo Limpo, sendo estas três últimas sufragâneas da primeira. O arquivo da arquidiocese, denominado Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva, localizado no bairro do Ipiranga, guarda uma dos mais importantes patrimônios documentais do Brasil. A Catedral Metropolitana de São Paulo (conhecida como Catedral da Sé), localizada na Praça da Sé, é considerada um dos cinco maiores templos góticos do mundo.[26] A Igreja Católica reconhece como padroeiros da cidade: São Paulo de Tarso e Nossa Senhora da Penha de França. Igrejas Protestantes A cidade possui os mais diversos credos protestantes ou reformados, como a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, a Igreja Cristã Maranata, Igreja Luterana, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Metodista, a Igreja Episcopal Anglicana, a Igreja Batista, a Igreja Assembléia de Deus, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Universal do Reino de Deus, as Testemunhas de Jeová, entre outras. Há um considerável avanço dessas Igrejas, principalmente na periferia da cidade. Política municipal Ver artigo principal: Política na cidade de São Paulo O Poder Executivo da cidade de São Paulo é representado pelo prefeito e seu gabinete de secretários, seguindo o modelo proposto pela Constituição Federal. A Lei Orgânica do Município e o atual Plano Diretor da cidade, porém, determinam que a administração pública deva garantir à população ferramentas efetivas de manifestação da democracia participativa, o que faz com que a cidade seja dividida em subprefeituras, cada uma delas liderada por um subprefeito nomeado pelo prefeito. O Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo, no centro da cidade. O Poder Legislativo é representado pela câmara municipal, composta por 55 vereadores eleitos para cargos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição, que disciplina um número mínimo de 42 e máximo de 55 para municípios com mais de cinco milhões de habitantes).[27]. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o Orçamento municipal (conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias). Devido ao poder de veto do prefeito, em períodos de conflito entre o Executivo e o Legislativo, o processo de votação deste tipo de lei costuma gerar bastante polêmica. Em complementação ao processo legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também uma série de conselhos municipais, cada um deles versando sobre temas diferentes, compostos obrigatoriamente por representantes dos vários setores da sociedade civil organizada. A atuação e representatividade efetivas de tais conselhos, porém, são por vezes questionadas. Os seguintes conselhos municipais estão atualmente em atividade: Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA); da Informática (CMI); dos Deficientes Físicos (CMDP); da Educação (CME); da Habitação (CMH); do Meio Ambiente (CADES); da Saúde (CMS); do Turismo (COMTUR); dos Direitos Humanos (CMDH); da Cultura (CMC); da Assistência Social (COMAS) e das Drogas e Álcool (COMUDA). Pertence também à prefeitura (ou é esta sócia majoritária em seus capitais sociais) uma série de empresas responsáveis por aspectos diversos dos serviços públicos e da economia de São Paulo: * São Paulo Turismo S/A: empresa responsável pela organização de grandes eventos e pela promoção turística da cidade. * Companhia de Engenharia de Tráfego (CET): subordinada à Secretaria Municipal de Transportes, é responsável pela fiscalização do trânsito, aplicação de multas (em cooperação com o DETRAN) e manutenção do sistema viário da cidade. * Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB): subordinada à Secretaria de Habitação, é responsável pela implementação de políticas públicas de habitação, especialmente a construção de conjuntos habitacionais. * Empresa Municipal de Urbanização de São Paulo (EMURB): subordinada à Secretaria de Planejamento, é responsável por obras urbanísticas e pela manutenção dos espaços públicos e mobiliário urbanos. * Companhia de Processamento de Dados de São Paulo (PRODAM): responsável pela infra-estrutura eletrônica e informática da prefeitura. * São Paulo Transportes Sociedade Anônima (SPTrans): responsável pelo funcionamento dos sistemas de transposte público geridos pela prefeitura, como as linhas de ônibus municipais. Por ser a capital do estado de São Paulo, a cidade também é sede do Palácio dos Bandeirantes (Governo Estadual) e da Assembléia Legislativa. Subdivisões Mapa da divisão em subprefeituras de São Paulo Ver artigo principal: Subdivisões da cidade de São Paulo O município de São Paulo está, administrativamente, dividido em trinta e uma subprefeituras, cada uma delas, por sua vez, divididas em distritos, sendo estes últimos, eventualmente, subdivididos em subdistritos (a designação "bairro", porém, não existe oficialmente, embora seja usualmente aplicada pela população). As subprefeituras estão oficialmente agrupadas em nove regiões (ou "zonas"), levando em conta a posição geográfica e história de ocupação. Entretanto, há certos órgãos e instituições (companhias telefônicas, zonas eleitorais, etc.) que adotam uma divisão diferente da oficial. Cabe às subprefeituras os serviços ordinários à população, dessa forma, descentralizando alguns serviços rotineiros. A divisão política oficial da cidade leva em conta tanto características histórico-culturais dos diferentes bairros de São Paulo como fatores de ordem prática (como a divisão de duas subprefeituras em uma avenida importante). Porém, muitas vezes tal divisão não reflete a percepção socioespacial que a população local tem dos lugares: há regiões da cidade que não são oficialmente reconhecidas pela prefeitura, de forma que sua delimitação seja informal e abranja diferentes distritos e subprefeituras, mantendo o nome por tradição, contigüidade física ou facilidade de localização. O fenômeno tende a se repetir na cidade inteira e considerado de forma ampla, pode levar a uma não identificação dos moradores com as instâncias políticas locais. Além da divisão política, há também uma divisão em nove zonas geográficas, cada uma delas representada por cores diferentes nas placas de ruas e na cor dos ônibus que circulam na região. Essas regiões são estabelecidas radialmente, usando apenas critérios topográficos, e, salvo algumas exceções, não têm uma homogeneidade urbana, nem qualquer distinção administrativa, com exceção do centro histórico e do centro expandido, onde vigora o rodízio municipal. Economia Ver artigo principal: Economia da cidade de São Paulo São Paulo é a cidade mais rica do Brasil, a 19ª cidade mais rica do mundo e, segundo projeções, será a 13ª mais rica em 2020[28], segundo dados do IBGE, em 2005 seu Produto Interno Bruto (PIB) foi de R$ 263.177.148.000,00[2], o que equivale a aproximadamente 12,26% do PIB brasileiro[29] e 36% de toda produção de bens e serviços do Estado de São Paulo. Sua região metropolitana, possui um PIB de aproximadamente R$ 416,5 bilhões, o que correponde a 57,3% de todo o PIB paulista[30]. Centro Empresarial Nações Unidas, na Marginal Pinheiros, um do mais recentes centros financeiros da cidade, na região da avenida Luís Carlos Berrini. Um dos maiores centros financeiros do Brasil e do mundo, São Paulo passa hoje por uma transformação em sua economia. Durante muito tempo a indústria constituiu uma atividade econômica bastante presente na cidade, porém São Paulo tem atravessado nas últimas três décadas uma clara mudança em seu perfil econômico: de uma cidade com forte caráter industrial, o município tem cada vez mais assumido um papel de cidade terciária, pólo de serviços e negócios para o país. Em São Paulo, por exemplo, está sediada a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), a bolsa oficial do Brasil. A Bovespa é a maior Bolsa de Valores da América Latina e a 8ª maior do mundo[31]. Muitos analistas também têm apontado São Paulo como uma importante "cidade global" (ou "metrópole global", classificação dividida apenas com o Rio de Janeiro entre as cidades brasileiras[32]). Como "cidade global", São Paulo teria acesso às principais rotas aeroviárias mundiais, às principais redes de informação, assim como sediaria filiais de empresas transnacionais de importância global e importantes instituições financeiras. O urbanista João Sette Whitaker Ferreira, entretanto, considera que a desigualdade social e segregação espacial descaracteriza São Paulo como uma cidade global.[33]. Apesar de ser o centro financeiro do país, São Paulo apresenta também alto índice de negócios ligados à economia informal [34]. Neste mesmo cenário, segundo dados de 2001 da prefeitura do município[35], cerca um milhão de paulistanos (aproximadamente dez por cento da população) vivia abaixo da linha de pobreza. Turismo Ver artigo principal: Turismo na cidade de São Paulo * Guia de viagens sobre São Paulo (cidade) no Wikitravel. Os jardins do Ipiranga, em São Paulo, onde foi proclamada a independência do Brasil. Ao fundo, o Museu do Ipiranga. São Paulo destaca-se mais como uma cidade marcada pelo turismo de negócios que pelo turismo recreativo. Grandes redes de hotéis cujo público-alvo é o corporativo estão instaladas na cidade e possuem filiais espalhadas em várias das suas centralidades. Toda a infraestrutura para eventos da cidade faz com que ela seja sede de 120 das 160 principais feiras do país (SP Turis). Dentre as principais, estão o Salão do Automóvel de São Paulo, a Couromoda e a Francal, entre outras. A cidade ainda promove uma das mais importantes semanas de moda do Mundo, a São Paulo Fashion Week'. Parque Ibirapuera, um dos principais símbolos da capital paulista. O turismo cultural, porém, também possui alguma relevância para a cidade, especialmente quando se têm em vista os vários eventos internacionais que ocorrem na cidade (como a Bienal de Artes de São Paulo e os vários shows de celebridades estrangeiras, quando se apresentam no Brasil, escolhem poucas metrópoles). A cidade possui diversas atividades culturais e uma vida noturna que é considerada umas das melhores do país. São 280 cinemas, 120 teatros, 71 museus, como o MASP, e 39 centros culturais, alguns atendendo a parcela de maior poder aquisitivo, outros contemplando mais o público popular, o que leva muitos a dizerem que "sempre há um programa para se fazer em São Paulo". A diversidade de povos e culturas que construiu a cidade, faz também com que a rica gastronomia da região seja por si só um grande atrativo turístico. Essa afirmação pode ser comprovada através da ampla variedade gastronômica da cidade, que abrange mais de 50 tipos de culinária. Estrutura urbana Tecidos urbanos Variação de tecidos urbanos na região do Pacaembu: lado a lado, áreas verticalizadas e de casario baixo. São Paulo possui uma miríade de tecidos urbanos. Os núcleos originais da cidade apresentam-se verticalizados, caracterizados pela presença de edifícios comerciais e de serviços; e as periferias desenvolvem-se, de forma geral, com edificações de dois a quatro andares - embora tal generalização certamente encontre exceções no tecido da metrópole. Comparada a outras cidades globais (como as cidades-ilha de Nova York e Hong Kong), porém, São Paulo é considerada uma cidade de "edifícios baixos". Seus maiores edifícios raramente atingem quarenta andares, e a média entre os edifícios residenciais é de vinte. São comuns as seguintes regiões, caracterizadas de acordo com seu tecido urbano: * Casario composto por sobrados de classe média, recuados em relação ao lote, em bairros predominantemente residenciais ou comerciais. * Periferias nas quais a legislação de ocupação do solo é menos respeitada, composta por sobrados ou residências térreas mas com densidade maior que o casario supracitado * Bairros de classe média, normalmente localizados em um anel periférico imediatamente seguinte ao Centro da cidade, mas não tão distantes quanto as periferias extremas, ocupados por condomínios verticais (edifícios de apartamentos isolados em meio ao lote, contendo quase 50% de espaço livre e normalmente de acesso privativo). * Regiões verticalizadas do Centro da cidade, variando bastante a relação entre a largura da rua e a altura dos edifícios. * Novas regiões verticalizadas e com edifícios mais recuados e com maior presença do automóvel (como a Nova Faria Lima e a região da Avenida Luís Carlos Berrini). * Regiões de condomínios fechados horizontais, de acesso restrito. * Regiões tradicionalmente caracterizadas como favelas. Cidade Tiradentes, distrito do extremo leste de São Paulo. Possui o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina, com cerca de 40 mil unidades habitacionais. Tal heterogeneidade de tecidos, porém, não é tão previsível quanto o modelo genérico pode fazer imaginar. Algumas regiões centrais da cidade passaram a concentrar indigentes, tráfico de drogas, comércio ambulante e prostituição, o que incentivou a criação de novas centralidades do ponto de vista socioeconômico. A caracterização de cada região da cidade também passou por várias mudanças ao longo do século XX. Com o deslocamento de indústrias para outras cidades ou estados, várias áreas que antes abrigavam galpões de fábricas se transformaram em áreas comerciais ou mesmo residenciais. Avenida Paulista, o maior centro financeiro do Brasil. A mais caracterizada mudança no perfil econômico da cidade, porém, é o chamado vetor sudoeste, área da cidade que engloba as regiões oeste e centro-sul. A expressão se refere à tendência do mercado imobiliário (e das empresas em geral) em "levar" o centro da cidade para regiões antes consideradas periféricas, seguindo em geral a direção nordeste-sudoeste, com algumas poucas exceções. Esta tendência pode ser acompanhada desde as primeiras [[década]s do século XX: partindo da região do Triângulo histórico (núcleo original da cidade), a centralidade socioeconômica da cidade (que difere da centralidade geográfica) passou para a região do Centro Novo (do outro lado do Vale do Anhangabaú), e mais tarde para a região da Avenida Paulista. Nas últimas duas décadas, este processo tem levado tal centralidade principalmente para a região das avenidas Faria Lima e Berrini. Fora dessa região, existem também outras áreas como os distritos Tatuapé e Santana, que também se desenvolveram e se tornaram centralidades socioeconômicas regionais, funcionando ainda como pólo de comércio, serviços e lazer para outras localidades fora do eixo desenvolvimento principal do município. As regiões que permanecem afastadas destas centralidades acabam, na maioria dos casos, servindo como bairros-dormitórios. Isto se deve ao processo de planejamento urbano da cidade ao longo do século XX, que manteve as áreas de habitação popular isoladas das centralidades principais do município.[37]. Ao crescimento demográfico estiveram associados processos de especulação imobiliária que aceleraram a ocupação de áreas periféricas com pouca infra-estrutura, em alguns casos fomentados pelos próprios programas urbanísticos estatais de habitação popular[38]. Nas últimas décadas, algumas famílias de baixa renda passaram a ocupar irregularmente regiões de mananciais.[39] A constante mudança da paisagem paulistana devido às alterações tecnológicas de seus edifícios tem sido uma característica marcante da cidade, apontada por estudiosos como Benedito Lima de Toledo. Segundo Toledo, em um período de um século, entre meados de 1870 e 1970 a cidade de São Paulo foi praticamente demolida e reconstruída no mínimo três vezes. Estes três períodos são caracterizados pelos processos construtivos típicos de suas épocas: em um primeiro momento a cidade apresentava-se como um emaranhado de construções em taipa de pilão, situação que perdurou desde o período colonial até as últimas décadas do século XIX. No início do século XX, a cidade foi rapidamente transformada e passou a apresentar-se como uma cidade de alvenaria, importando métodos de construção e arquiteturas européias. Enfim, com a necessidade de verticalização e expansão e a popularização de avanços tecnológicos, a cidade foi novamente demolida e reconstruída em concreto armado e metal, constituindo parte da paisagem atual. De cada um dos períodos anteriores restam poucos exemplares: algumas poucas residências bandeiristas preservadas e o Museu de Arte Sacra de São Paulo são os únicos resquícios da "cidade de taipa". Da mesma maneira, da "cidade de alvenaria", são preservados ainda edifícios como o da Pinacoteca do Estado. Mobilidade urbana e acessibilidade Ver artigo principal: Mobilidade urbana no município de São Paulo Mapa da rede metro-ferroviária de São Paulo (inclui linhas ainda não construídas ou em construção) A cidade de São Paulo sofre um problema comum a outras grandes metrópoles mundiais: o grande congestionamento de carros em suas principais vias. O transporte coletivo, no entanto, representa um papel fundamental no dia-a-dia da metrópole. São Paulo conta com uma imensa estrutura de linhas de ônibus, com uma frota de cerca de quinze mil unidades[40] entre ônibus comuns e articulados (cerca de 10 mil), trólebus (215 veículos) e microônibus (cerca de 5 mil). Em 2003, iniciou-se uma grande reformulação no sistema de transporte público na cidade que reduziu significativamente o grande número de lotações clandestinas, que em sua maioria foram recadastradas e organizadas em cooperativas[41]. Os trens da CPTM, o Metrô e o sistema de interligação entre eles completam o sistema municipal e estadual de transporte na cidade. Evolução da frota de veículos[42][43] Ano Frota 1980 1.604.135 1991 3.614.769 2000 5.128.234 2002 5.491.811 2004 5.807.160 2008 6.000.000 Vista aérea da Marginal Tietê. O sistema viário do município é notadamente heterogêneo, especialmente do ponto de vista rodoviário. A cidade é cortada por duas grandes vias que têm papel estruturador, tanto na escala infra-urbana quanto na metropolitana: a Marginal Tietê e a Marginal Pinheiros. Estas duas "artérias" são consideradas as principais vias estruturais (ou vias expressas) do município, sendo que a elas conectam-se diversas rodovias estaduais e federais. Com uma frota de 5.037.418 veículos em 2006[44], estima-se que São Paulo alcançou uma taxa de motorização de 0,454 veículos por habitante, o que corresponde aproximadamente a um veículo para cada dois habitantes. A taxa média no Brasil é de 0,24, o que coloca São Paulo entre os municípios com maior nível de motorização do país, superado só por alguns com maior nível de renda (e IDH-M) como São Caetano do Sul (0,739) e Curitiba (0,545). Planejamento urbano São Paulo possui um histórico de ações, projetos e planos ligados ao Urbanismo e ao planejamento urbano que podem ser traçados até as administrações de Antônio da Silva Prado, João Teodoro e completado por Francisco Prestes Maia. Porém, de uma forma geral a cidade se constituiu ao longo do século XX, saltando de vila a metrópole, por meio de uma série de processos informais ou irregulares de expansão urbana. Desta forma, São Paulo difere consideravelmente de cidades brasileiras como Belo Horizonte e Goiânia, cuja expansão inicial seguiu determinações de um plano e de um projeto urbano original, ou de uma cidade como Brasília, cujo plano piloto fora inteiramente desenhado previamente à construção da cidade. Mapa dos distritos de São Paulo por índice de desenvolvimento humano, de acordo com o Atlas de Trabalho e Desenvolvimento da Fundação Seade, em 2007 Por outro lado, a sucessão de loteamentos periféricos e dos processos de requalificação e reconstrução de tecidos já consagrados, comuns na cidade ao longo de sua evolução, foi eventualmente acompanhada de planos urbanísticos que tentavam ordenar segundo diretrizes de planejamento a lógica informal própria da constituição da cidade. Se as primeiras intervenções de Prado e Teodoro possuíam caráter pontual, tais planos procuraram, ora setorialmente integrados e ora isolados, a definição de padrões a serem seguidos na produção de novos espaços urbanos e na regulação dos anteriores. A eficácia histórica de tais planos em cumprir aquilo a que, aparentemente, se propunham, porém, tem sido apontada por alguns planejadores e historiadores diversos como questionável. Por outro lado, outros destes mesmos estudiosos alegam que tais planos foram produzidos visando o benefício exclusivo das camadas mais abastadas da população, enquanto as camadas populares ficariam relegadas aos processos informais tradicionais[45]. Em São Paulo, até meados da década de 1950, os planos apresentados para a cidade ainda possuíam um caráter haussmanniano, ou seja, eram baseados na idéia de "demolir e reconstruir". Podem-se citar planos como os apresentados pelo então prefeito Prestes Maia para o sistema viário paulistano (conhecido como Plano de Avenidas) ou o de Saturnino de Brito para as marginais do rio Tietê. Em 1968 é proposto o Plano Urbanístico Básico que se desdobraria no Plano Diretor Integrado de Desenvolvimento de São Paulo, desenvolvido durante a gestão de Figueiredo Ferraz. O principal resultado deste plano foi aquilo que ficou conhecido como lei de zoneamento e que vigorou até 2004, quando foi substituída pelo atual Plano Diretor. Naquele zoneamento, aprovado em 1972, notava-se uma clara proteção às chamadas Z1 (zonas cuja definição de uso era exclusivamente residencial e era destinada às elites da cidade) e uma certa indefinição da maior parte da cidade, classificada como Z3 (vagamente regulamentada como "zona mista" mas sem definições mais claras a respeito de suas características). Desta forma, tal zoneamento incentivou o crescimento de bairros periféricos dotados de edifícios de baixo gabarito aliados a processos de especulação imobiliária ao mesmo tempo que valorizava regiões nas quais permitia-se construir edifícios altos.[46] Infra-estrutura urbana Cobertura da rede de coleta de Esgoto da cidade de São Paulo[47] 1980 Infra-estrutura é um conjunto de elementos essenciais para o desenvolvimento de qualquer cidade. Redes bem estruturadas de água, esgoto, eletricidade, drenagem, comunicação e transporte são imprescindíveis para a melhora na qualidade de vida da população de um município. Em cidades de grande porte, distribuir esses recursos à toda população é um enorme desafio. A cidade de São Paulo vem conseguindo grandes avanços, aumentando a área de cobertura de suas redes de esgoto e água, mas uma parte da população, especificamente a de baixa renda, ainda não conta com recursos básicos de infra-estrutura. São Paulo é praticamente toda servida pela rede de abastecimento de água potável.[48] A cidade consome uma média de 221 litros de água/habitante/dia enquanto a ONU recomenda o consumo de 110 litros/dia. A perda de água é de 30,8%.[49] No entanto entre 11 a 12,8% das residências não possui rede de esgoto, depositando dejetos em fossas e valas.[48] Sessenta por cento do esgoto coletado é tratado.[49] Segundo dados do IBGE e da Eletropaulo a rede elétrica atende quase 100% das residências. A rede de telefonia fixa ainda é precária, com cobertura de 67,2%[48]. A coleta de lixo domiciliar cobre todas as regiões do município mas ainda é insuficiente, atingindo cerca de 94% da demanda, em distritos como Parelheiros e Perus[48]. Educação e ciência Com 2.725 estabelecimentos de ensino fundamental, 2.998 unidades pré-escolares, 1.199 escolas de nível médio e 146 instituições de nível superior, a rede de ensino da cidade é a mais extensa do país.[50] Ao total, são 2.850.133 matrículas e 153.284 docentes registrados.[50] Educação em São Paulo em números[50] Nível Matrículas Estudantes da rede pública (%) Docentes Escolas (total) Unidades de ensino da rede pública (%) Ano de referência Ensino pré-escolar 371.838 72,75 17.878 2.998 24,25 2007 Ensino fundamental 1.591.536 82,11 71.569 2.725 55,27 2007 Ensino médio 457.680 84,15 28.009 1.199 51,96 2007 Ensino superior 429.079 11,22 35.828 146 4,11 2005 Indicadores O fator "educação" do IDH no município atingiu em 2000 a marca de 0,919 – patamar consideravelmente elevado, em conformidade aos padrões do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) [51] – ao passo que a taxa de analfabetismo indicada pelo último censo demográfico do IBGE foi de 4,9%, superior apenas à porcentagem verificada nas cidades de Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Vitória e Belo Horizonte.[52][53] Tomando-se por base o relatório do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2007, São Paulo obteve a nona colocação entre as capitais brasileiras.[54] Na classificação geral do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2007, três escolas da cidade figuraram entre as 20 melhores do ranking, sendo os colégios Vértice, Bandeirantes e Móbile os respectivos terceiro, décimo quarto e vigésimo colocados.[55] Contudo – e em consonância aos grandes contrastes verificados na metrópole –, em algumas regiões periféricas e empobrecidas, o aparato educacional público de nível médio e fundamental é ainda deficitário, dada a escassez relativa de escolas ou recursos. Nesses locais, a violência costuma impor certas barreiras ao aproveitamento escolar, constituindo-se em uma das causas preponderantes à evasão ou ao aprendizado carencial.[56] Ensino superior Contemplado por expressivo número de renomadas instituições de ensino e centros de excelência, São Paulo é o maior pólo de pesquisa e desenvolvimento do Brasil, responsável por 28% da produção científica nacional – segundo dados de 2005.[11] No cenário atual, destacam-se importantes universidades públicas e privadas, muitas delas consideradas centros de referência em determinadas áreas. As três universidades públicas sediadas na cidade de São Paulo são: Conjunto residencial da Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira. Vista aérea da Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, com os edifícios da FAUUSP e da FEAUSP em destaque. * Universidade de São Paulo (USP): fundada em 1934, desempenha um papel de destaque no desenvolvimento científico nacional. Tem seu principal campus situado às margens do rio Pinheiros, nas dependências da extinta fazenda Butantan, em uma área de 3.600 hectares. É a maior universidade pública do país, e conta com unidades de graduação, pós-graduação, extensão e pesquisa nas áreas de ciências exatas, biológicas e humanas, departamentos complementares, institutos especializados, e fundações conveniadas. Dispõe de sistema de bibliotecas integrado, orquestra, coral, hospitais, centros odontológico e de psicologia clínica, museus, centros esportivos e rádio. No "Ranking das 500 melhores universidades do planeta" – divulgado em novembro de 2007 pelo "Higher Education Evaluation & Accreditation Council of Taiwan", que avaliou e classificou o desempenho da produção científica em universidades do mundo todo – a USP aparece como a instituição de ensino superior da América Latina mais bem colocada, ocupando a 94ª posição.[57] * Universidade Federal de São Paulo (Unifesp): destacado centro de graduação e pós-graduação, sobretudo na área de saúde, conta com seu maior campus localizado na cidade, o qual congrega os cursos de Medicina, Enfermagem, Ciências Biomédicas, Fonoaudiologia e Tecnologia Oftálmica. Foi uma das primeiras instituições a organizar os programas de residência médica no país (1957) e de pós-graduação (1970), reconhecidos entre os pioneiros da área de saúde no Brasil.[58] * Universidade Estadual Paulista (Unesp): criada em 1976, com a unificação dos "Institutos Isolados de Ensino Superior" do estado de São Paulo, a instituição disponibiliza cursos de graduação e pós-graduação em diversas áreas do conhecimento. Possui campi espalhados por várias cidades do estado, com a reitoria instalada na capital paulista, onde também se encontra o Instituto de Artes. No "Ranking das 500 melhores universidades do planeta", aparece na 485ª posição.[57] Entre as instituições privadas, destacam-se: * Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP): mantida pela Mitra Arquidiocesana de São Paulo, foi fundada em 1946 pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Carlos Carmelo de Vasconcellos Mota. Possui cinco campi no estado, sendo três deles na capital paulista, um deles (em Perdizes) tombado pelo Patrimônio Histórico do município. Oferece uma grande gama de cursos de graduação e especialização em diversas áreas de conhecimento humano, e seus cursos de mestrado e doutorado enfocam principalmente as áreas de ciências humanas e educação. A PUC-SP também mantém o teatro Tuca, a editora EDUC e a Derdic, uma escola especial direcionada a crianças portadoras de deficiência auditiva. Foi a primeira universidade brasileira a eleger o reitor por voto direto dos alunos, professores e funcionários. * Universidade Paulista (Unip): pertencente ao grupo Objetivo, é a maior universidade privada de São Paulo e do Brasil, com cerca de 88 mil estudantes. Possui campi em vários bairros da capital paulista e em muitas cidades do interior.[59] * Universidade Presbiteriana Mackenzie: mantida pela Igreja Presbiteriana do Brasil, uma das instituições de ensino mais antigas da cidade, datando de 1870, teve sua origem em um colégio fundado pelos missionários norte-americanos George Whitehill Chamberlain e Mary Ann Annesley Chamberlain. Atualmente, mantém cursos em outras cidades brasileiras como Barueri, Brasília e Rio de Janeiro. É composta por dez faculdades, incluindo cursos de graduação e pós-graduação em áreas diversas como Administração de Empresas, Direito, Engenharia, Ciências Biológicas e Arquitetura. Os edifícios do campus principal são tombados pelo Patrimônio Histórico da cidade. Completam o exemplário acima as seguintes instituições: Universidade Anhembi Morumbi, São Marcos, Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), Universidade Paulista (Unip) e Universidade São Judas Tadeu – entre outras. Além destas universidades, São Paulo também conta com diversos institutos de ensino superior e pesquisa em áreas específicas, entre os quais podem ser destacados a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) (engenharia, artes e ciências humanas), a Fundação Getúlio Vargas (FGV) (administração e direito) e a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Instituto Pasteur, na avenida Paulista. Fachada do Instituto Biológico, na Vila Mariana. Principais institutos de pesquisa * Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT): também instalado em um campus de 240 mil m² na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, representa um dos maiores núcleos de pesquisa da América Latina, com atuação de destaque no suporte às políticas públicas. Comporta 13 centros de especialidade técnica e 30 laboratórios[60][61] com atuação em pesquisa e desenvolvimento de serviços tecnológicos, ensaios, análises e estudos direcionados a metalurgia, energia, geologia aplicada, química e engenharias em geral, além de incubadoras de empresas de tecnologia.[60] * Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN): em atividade desde 1956, quando foi criado sob a denominação de "Instituto de Energia Atômica", por um convênio estabelecido entre a USP e o CNP. Atualmente, a gestão técnica e administrativa fica a encargo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).[62] Suas instalações ocupam uma área total de 500 mil m² na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira (CUASO).[62] Desenvolve estudos em tecnologias nacionais para a produção de materiais e equipamentos nucleares, ensaios com reatores de pesquisa e análise de segurança e procedimentos de proteção radiológica e formação de recursos humanos na área.[62] Em associação com a USP, conduz programas de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado.[62] * Instituto Butantan: pólo de pesquisa biomédica fundado em 1901 na então fazenda Butantan, e atualmente vinculado à Secretaria de Saúde de São Paulo, fabrica antígenos e vacinas diversos, e é o maior produtor nacional de soros antiofídicos.[63] Centro de renome internacional em pesquisa científica de animais peçonhentos, conta com 14 laboratórios e um núcleo de biotecnologia.[64] * Instituto Biológico: instituído em 1927, com vistas a debelar uma praga que vicejava nos cafezais paulistas, dedica-se atualmente ao desenvolvimento de pesquisas em biossegurança e à prestação de atendimento fito e zoossanitário.[65] Executa testes laboratoriais e produz vacinas e antígenos diversos. Também é responsável por uma série de publicações e boletins científicos e mantém sob sua guarda um importante acervo de microorganismos patogênicos.[65] * Instituto Pasteur: como entidade ligada à Secretaria de Saúde de São Paulo, dedica-se à pesquisa científica sobre a raiva animal. Fundado em 1903,[66] impulsionou sobremaneira as pesquisas sobre bacteriologia e zoopatologias, consolidando-se como uma das principais referências da área na América Latina.[66] * Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMTSP): criado em 1959,[67] como um órgão complementar da Faculdade de Medicina da USP, e com o objetivo pleno de fomentar pesquisas e subvencionar estudos científicos e tecnológicos para o diagnóstico, tratamento, controle e prevenção de doenças tropicais e endêmicas,[67] converteu-se, em 2000, em unidade especializada, gozando de total autonomia administrativa interna.[67] Desempenhou significativas contribuições científicas nacionais e internacionais em diversos campos, além de atuar como centro de formação, aperfeiçoamento e prestação de serviços especializados na área.[67] * Instituto Florestal: criado em 1896 sob a denominação "Horto Botânico de São Paulo"[68], visa à preservação das matas nativas remanescentes no estado. Também subsidia atividades de pesquisa direcionadas à conservação de espécies silvestres ou raras, ao reflorestamento e silvicultura racional, além de programas de educação ambiental. É detentor de um grande patrimônio físico de parques e reservas.[68] Cultura Ver artigo principal: Cultura da cidade de São Paulo Pinacoteca do Estado de São Paulo. São Paulo é considerada pólo cultural no Brasil, tendo-se consolidado como local de origem de toda uma série de movimentos artísticos e estéticos ao longo da história do século XX. Apesar de tradicionalmente rivalizar com o Rio de Janeiro o status de sede das principais instituições culturais do país, é em São Paulo que existe o maior mercado para a cultura, tendo hoje se consolidado como uma das principais capitais culturais do Brasil e da América Latina[69]. A cultura da cidade de São Paulo foi largamente influencidada pelos diversos grupos de imigrantes que ali se estabeleceram, principalmente italianos. São Paulo possui uma ampla rede de teatros, casas de show e espetáculo e bares. Instituições de ensino, museus e galerias de arte não raro empregam superlativos em suas descrições (sedia, por exemplo, a maior universidade pública do país - a Universidade de São Paulo a maior universidade privada - a Universidade Paulista - e a maior casa de espetáculos do país, o Credicard Hall). Música Sala São Paulo, maior sala de concertos da cidade. A cidade tem uma cena musical fervilhante, com diversas vertentes musicais sendo representadas. É da cidade o "Conjunto Vocal Mais Antigo do Brasil em Atividade", os Demônios da Garoa[70], grupo de samba da década de 1940 ainda hoje em atividade. Berço de várias bandas de rock nas décadas de 1970 e 1980, também é influente no movimento hip-hop (break, grafite e rap), sendo que, no Brasil, os maiores expoentes dessa vertente cultural estão em São Paulo e seu entorno.[carece de fontes?] Também é forte a presença da música eletrônica, com diversas raves e festas, como o Skol Beats, Nokia Trends e o Spirit of London, entre outras. Por seu aspecto urbano, a cidade cada vez mais se renova musicalmente[carece de fontes?], aceitando os diversos ritmos musicais oriundos de todas as partes do país. São Paulo também é provavelmente o principal centro de música erudita do Brasil, sendo local de nascimento de compositores internacionalmente reconhecidos como Osvaldo Lacerda e Amaral Vieira, e palco durante o ano todo de apresentações de concertos e óperas em suas diversas salas, como a Sala São Paulo, o Teatro Municipal de São Paulo (palco da Semana de Arte Moderna de 1922, considerada marco de início da arte moderna no Brasil), o Teatro São Pedro e o Teatro Alfa. A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) é considerada o melhor conjunto sinfônico da América Latina[71]. Artes cênicas Episódios relevantes na história das artes cênicas no Brasil aconteceram na cidade de São Paulo. Verifica-se na cidade tanto um cenário de teatro de vanguarda como de um teatro tradicional. Três instituições revelaram-se importantes na cidade, ao longo do século XX: primeiramente o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), depois o Teatro de Arena e finalmente o Teatro Oficina. Museus Ver artigo principal: Lista de museus da cidade de São Paulo Por ter feito parte da história política e econômica do Brasil, São Paulo é praticamente um museu a céu aberto, com bairros e edifícios de incalculável valor histórico.A cidade possui uma enorme variedade de museus e galerias de arte, que possuem acervos dos mais variados estilos, da arte sacra a moderna, além de curiosidades sobre ciência, política, religião, entre outros temas. Entre os museus mais famosos da cidade estão o MASP e o Museu do Ipiranga. Esportes Estádio do Morumbi. A cidade de São Paulo é sede de três grandes clubes brasileiros de futebol: Corinthians , São Paulo FC e Palmeiras (fundado por italianos). Além do "Trio de Ferro", ainda conta com outras agremiações futebolísticas, como a Portuguesa de Desportos, o Juventus e o Nacional. A cidade conta com 4 grandes estádios: * Morumbi, do São Paulo FC, o maior estádio de futebol de São Paulo, com capacidade para 73.501 pessoas; * Pacaembu, estádio municipal, onde jogam todos times paulistas, com capacidade para cerca de 37.000 pessoas[72]; * Estádio Universitário, da USP, com capacidade para cerca de 30.000 pessoas (não oficial)[73]; * Estádio Palestra Itália, da S.E. Palmeiras com capacidade para 32.000 pessoas[74]; * Estádio do Canindé, da Portuguesa de Desportos, à beira do Rio Tietê, com capacidade para 19.717 pessoas[75]. Além destes, conta com estádio menores como o Estádio Conde Rodolfo Crespi - popularmente conhecido como Estádio da Rua Javari - (do Clube Atlético Juventus), o Estádio Nicolau Alayon (do Nacional) e o Parque São Jorge (do Corinthians). Há também o Estádio do Ibirapuera, destinado ao atletismo. Em relação a outros esportes, conta ainda com um circuito de automobilismo que recebe as principais categorias do esporte, dentre as quais a Fórmula 1, localizado no bairro de Interlagos, o Autódromo José Carlos Pace. Conta também com diversos ginásios de Vôlei e Basquete (Ibirapuera, Clube Hebraica e Paulistano), quadras de tênis, e muitas outras arenas esportivas. Vista aérea do Autódromo de Interlagos. Também realiza-se na cidade a tradicional Corrida de São Silvestre, prova pedestre disputada desde 1925, pelas ruas do centro, todo dia 31 de Dezembro. Entre as corridas de rua tradicionais também destacam-se as provas São Paulo Classic com cerca de 12.000 participantes[76] e Run Américas com 25.000 participantes[77] em São Paulo num evento que acontece simultaneamente em diversas cidades da América Latina: São Paulo, Lima, Caracas, Bogotá, Cidade do México, Santiago e Buenos Aires num evento que no total reúne 120mil pessoas nessas 9 cidades. A cidade conta com o Jockey Club, onde a primeira corrida aconteceu em 29 de outubro de 1876, no Hipódromo da Mooca, na rua Bresser. Com dois cavalos inscritos na primeira corrida, Macaco e Republicano, inauguraram as raias instaladas nas colinas da Mooca. Republicano era o favorito, mas Macaco levou o Primeiro Prêmio da Província. Foi sede de Jogos Pan-Americanos em 1963, uma das sedes do Campeonato Mundial de Clubes de Futebol da FIFA em 2000 e recebeu jogos da Copa do Mundo de Futebol em 1950. Também foi sede do Campeonato Mundial de Basquete Feminino da FIBA em 1983 e 2006, de Vôlei Feminino em 1994 e será sede de uma das etapas do Concurso Mundial de Saltos da FEI (Federação Eqüestre Internacional) em 2007. Problemas atuais Desde o começo do século XX, São Paulo é o principal centro econômico da América Latina. Com a primeira e a segunda guerras mundiais e a Grande Depressão, as exportações do café aos Estados Unidos e Europa foram fortemente afetadas, forçando os ricos cafeicultores a investir nas atividades industriais que transformariam São Paulo no maior centro industrial do Brasil. As novas vagas de trabalho contribuíram para atrair um número significativo de imigrantes (sobretudo da Itália) e de migrantes, especialmente dos estados do Nordeste. De uma população de apenas 32.000 pessoas em 1880, São paulo passa a ter 8.500.000 de habitantes em 1980. O rápido crescimento demográfico trouxe como consequência inúmeros problemas para a cidade. Obras de urbanização da favela de Paraisópolis Déficit habitacional e esvaziamento das áreas centrais Segundo dados do Censo de 2000 do IBGE, da fundação SEADE e de pesquisas feitas pela prefeitura de São Paulo no período 2000-2004[78], o município apresentava até aquele momento um déficit de aproximadamente 800 000 unidades habitacionais. Isto equivaleria, segundo tais pesquisas, a aproximadamente três milhões de cidadãos sem acesso à habitação formal ou em habitações precárias: nestes números constam, a população de loteamentos clandestinos e irregulares e a população moradora de favelas e população moradora de cortiços [79]. Tal déficit equivaleria, segundo alguns autores, a aproximadamente um décimo de todo o déficit habitacional nacional (estimado em aproximadamente oito milhões de unidades[80]). Aliado ao problema do déficit habitacional está o fato de que, ainda segundo dados das pesquisas em distritos censitários do IBGE e da fundação SEADE, a cada ano as áreas centrais da cidade - correspondentes às regiões centrais tradicionais e aquelas ligadas ao já citado vetor sudoeste - apresentam uma taxa negativa de crescimento demográfico que chega a -5% ao ano [81][82]. Segregação sócio-espacial Condomínios de alto padrão em contraste com uma favela, no distrito do Morumbi. Conforme já foi mencionado, a cidade de São Paulo sofreria com problemas de segregação sócio-espacial, fenômeno cujas causas é objeto de debate entre especialistas. Urbanistas e estudiosos das questões urbanas em São Paulo[83] apontam a região entre os rios Pinheiros, Tietê e Tamanduateí como a área urbana na qual historicamente a prefeitura atuou com maior rigor e com maior planejamento por parte do poder público, assim como a área no qual o poder público mais investiu, sendo também esta a região onde se encontra a maioria dos bairros com melhores indicadores sociais da cidade. Esta região tem perdido população e apresentado uma densidade demográfica cada vez menor, apesar de ser região da cidade com maior índice de infra-estrutura e equipamentos sociais. [84]. Exceção feita às regiões de Ibirapuera, Campo Belo, Vila Nova Conceição, Vila Olímpia que sofreram um impressionante acréscimo de população[carece de fontes?]. As populações de mais baixa renda, por não terem como arcar com o custo de vida dessas áreas, acabam assim ocupando as áreas nas bordas do município, mais desprovidas de infra-estrutura. É válido mencionar, entretanto, que mesmo dentro da área delimitada por esses rios há algumas regiões de exclusão social, como a favela de Heliópolis. Por outro lado, há também alguns núcleos de alta renda como Morumbi, Jardim Anália Franco e os condomínios da Serra da Cantareira que estão localizados fora da área delimitada por esses rios. Conjunto habitacional em área periférica de São Paulo Além da dualidade centro-periferia que explicita em parte a desigualdade social na cidade, também notam-se pontos em que o contraste é visível e grupos de perfis de renda diversos convivem, como é o caso do distrito do Morumbi, que apresenta conjuntos de habitação de alta renda localizados próximos a regiões de favela. Tal fenômeno ocorre na história da estruturação urbana da cidade em momentos diversos: a recente e já citada transformação da região da Avenida Berrini pode ser caracterizada segundo tal interpretação[85]. Mas outros especialistas lembram que a área da avenida Berrini era quase muito pouco habitada, devido ao terreno encharcado e insalubre daquela região próximo ao rio Pinheiros. Sendo que a população construía suas moradias no bairro situado mais acima, o Brooklin. A ocupação da avenida Berrini se processou após ocorrerem investimento imobiliários particulares que consistiam na construção de diversos prédios de escritórios e que mudaram o perfil daquela região feitos pela Construtora Bratke e Collet. Nas últimas duas décadas também verifica-se a ocorrência de casos que uma corrente de urbanistas denomina de gentrificação[86], especialmente durante as gestões de José Serra e Gilberto Kassab, e particularmente no caso do projeto conhecido como Nova Luz [87]. Devido a crescente degradação do centro da cidade, alguns projetos de reurbanização, requalificação e revitalização têm sido sugeridos. Bairros situados fora do centro expandido como Capão Redondo que anos atrás abrigavam uma população pobre e operária, e nos quais há poucos anos havia falta de infra-estrutura básica, sofreram uma grande mudança econômica. Hoje tais bairros dispõem de equipamentos comerciais e de algum investimento infra-estrutural. Outros estudiosos creditam ao grande crescimento econômico ocorrido na década de 70 (apelidado de "milagre econômico") e com a chegada de milhares de migrantes, nordestinos em grande parte, à procura de melhores condições de vida a causa dos problemas de segregação.[88][89][carece de fontes?] Violência Os índices de criminalidade e violência são elevados na cidade[90], especialmente nas precárias e numerosas periferias. Entretanto, devido às dimensões da cidade e ao destaque recebido pela mídia, a violência local tende a ser relativamente superestimada. São Paulo ocupa a 493ª posição na lista das cidades mais violentas do Brasil. Entre as capitais, é a quarta menos violenta, registrando, em 2006, índices de homicídios superiores apenas aos de Boa Vista, Palmas e Natal.[91][92] A taxa de homicídios na capital paulista (23,7)[91] também é substancialmente menor que a de outras metrópoles como Recife (90,9), Curitiba (49,3) e Belo Horizonte (49,2)[91], e inferior à do Rio de Janeiro (37,7).[91] Índices de criminalidade, como o homicídio, têm diminuído continuamente por 8 anos[93]. O número de assassinatos em 2007 foi 63% mais baixo do que em 1999.[94]. Ocorrências de Homicídios Dolosos por Ano[95]. A violência urbana em São Paulo está, segundo sustentam alguns estudiosos, intimamente associada à segregação socioespacial[96], dada a condição de "exílio"[97] vivida pelas classes de mais baixa renda nas periferias, imposta segundo esta forma de enxergar o crescimento urbano pelo processo desigual de formação do espaço urbano - no qual as elites tradicionalmente localizam-se em áreas de melhor acessibilidade em relação aos centros financeiros e de lazer. O abismo social - assim como a segregação no espaço - são componentes da gênese do fenômeno da violência urbana, segundo o citado raciocínio. Poluição ambiental Camada de poluição visível na linha do horizonte em dia ensolarado na cidade. A poluição do ar na cidade é intensa[98], devido principalmente à enorme quantidade de automóveis que circulam diariamente na cidade. Além da poluição atmosférica a cidade sofre também com a poluição hídrica, concentrada em seus dois principais rios, o rio Tietê e o rio Pinheiros, que estão altamente poluídos. Atualmente o rio Tietê passa por um programa de despoluição que dura alguns anos. Como já ressaltado nos itens anteriores, o processo de expansão urbana nas últimas décadas aliou especulação imobiliária, esvaziamento das áreas centrais e precariedade nos novos loteamentos: desta forma, devido à dificuldade de aceder à terra urbana qualificada em áreas centrais, milhares de famílias se viram obrigadas a ocuparem regiões ambientalmente frágeis - como as de mananciais. Com isto, também ocorre uma sobrevalorização do transporte individual sobre o transporte coletivo - levando à atual taxa de mais de um veículo para cada dois habitantes e agravando o problema da poluição ambiental.[99] O problema do abastecimento equilibrado de água para a cidade - e para a metrópole, de uma forma geral - também se configura como questão preocupante: São Paulo possui poucas fontes de água em seu próprio perímetro, tendo de buscá-la em bacias hidrográficas distantes. O problema da poluição da água também é agravado pela ocupação irregular das áreas de mananciais, ocasionada pela supracitada expansão urbana impulsionada pela dificuldade de acesso à terra e à moradia em áreas centrais por parte da população de baixa renda.[100] Curiosidades * São Paulo ocupa a 25ª posição das cidades mais caras do mundo[101]; * São Paulo foi eleita pela revista estadunidense Reader's Digest a quarta cidade mais gentil do mundo em 2006 [102]; * A cidade de São Paulo hoje tem a maior frota de helicópteros do mundo; [10] * São Paulo tem um dos cinco maiores zoológicos do mundo; [103] * Durante o 10º Congresso Internacional de Gastronomia, Hospitalidade e Turismo (CIHAT) realizado em 1997 a cidade de São Paulo recebeu o título de "Capital Mundial da Gastronomia" de uma comissão formada por representantes de 43 nações[104]; * São Paulo é a segunda cidade com o maior consumo de pizzas no mundo, perdendo apenas para Nova Yorque. São 6 mil pizzarias produzindo cerca de um milhão de pizzas por dia;[105] * A rua Oscar Freire é uma das oito mais luxuosas do mundo de acordo com a Mystery Shopping International;[106] * São Paulo é um dos maiores centros geradores de tendências em moda no mundo; [107] * São Paulo é a maior cidade italiana fora da Itália; [6] * São Paulo é a cidade com maior população de origem étnica japonesa fora do Japão; [6] * São Paulo é a cidade com maior população de origem étnica espanhola fora da Espanha; [6] * São Paulo é a cidade com maior população de origem étnica libanesa fora do Líbano; [6] * São Paulo é a cidade com maior população de origem étnica portuguesa fora de Portugal;[6] * São Paulo é a maior cidade nordestina fora do Nordeste;[108] * Dos 1.522km² do município de São Paulo 31 km² são de favelas[109]; * São Paulo é a terceira maior cidade do mundo em quantidade de prédios, de acordo com o página especializado em pesquisa de dados sobre edificações, Emporis Buildings[110]; * São Paulo tem a terceira maior frota de táxis da América Latina;[111]; * São mais de 6 milhões de automóveis registrados em toda a cidade;[112] * A cidade tem o mais alto arranha-céu do país, o Mirante do Vale, também conhecido como Palácio Zarzur Kogan, com 170 metros de altura.[113]. * O Complexo viário Real Parque, inaugurado em maio de 2008, possui a única ponte estaiada do mundo com duas pistas em curva conectadas a um mesmo mastro. * A cidade abriga a segunda maior floresta urbana do mundo, o Parque da Cantareira, localizado na Serra da Cantareira.[114][115] * Sua Catedral é a segunda mais alta do Brasil, e uma das maiores do mundo. 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