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Quíton (molusco) Como ler uma caixa taxonómica Quíton Tonicella lineata Classificação científica Reino: Animalia Filo: Mollusca Classe: Polyplacophora Quítons são os moluscos da classe Polyplacophora. São caracterizados por suas conchas compostas por oito valvas sobrepostas e paralelas, e pelo cinturão muscular à volta de sua concha. * 1 Descrição * 2 Reprodução e desenvolvimento * 3 Posição na cadeia alimentar * 4 Distribuição * 5 Interesse de colecionadores * 6 Ancestrais extintos * 7 Taxonomia * 8 Referências Descrição A característica mais visível dos quítons é sua concha composta por oito valvas (ou, mais raramente, sete ou nove[1]). Essas valvas são transversais a região dorsal do animal, indo da região cefálica à caudal. As valvas são classificadas como valva cefálica, valvas medianas e valva anal; a valva cefálica é a que fica próxima à cabeça; a valva anal é a que fica próxima ao ânus; as demais valvas são as valvas medianas[2]. Sua concha é composta basicamente de aragonita. As valvas podem ser completamente cobertas pelo manto (como ocorre com os espécimes do gênero Cryptochiton), parcialmente cobertas pelo manto (caso do gênero Khatarina) ou mesmo totalmente expostas (por exemplo, como ocorre com o gênero Ischinochiton). À volta do corpo dos quítons, há um cinturão muscular visível; sua estrutura corporal permite que os quítons se encolham para o formato de uma bola protetora. A aparência desse órgão varia muito, podendo ser liso, possuir pelos, espinhos, escamas (bastante semelhants, em aparência, às das cobras etc. Lado inferior de um quíton gigante do Pacífico Na sua região ventral há um um pé e um ânus identificável, bem como as brânquias que circundam todo o animal. Entretanto, na região ventral percebe-se pouca cefalização. Não possuem tentáculos ou olhos. Entre o corpo e o cinturão há uma cavidade, onde se encontra o manto. Essa cavidade é ligada ao mundo exterior por dois canais: um canal que traz a água do ambiente externo para a cavidade e outro, próximo ao ânus, que a expele. As guelras encontram-se na cavidade do manto, circundado todo o corpo do animal e usualmente próximas ao ânus. Os quítons possuem boca e rádula, contendo várias fileiras de dentes, geralmente com dezessete dentes em cada. Os dentes das rádulas usualmente são compostos de magnetita. Os quítons usualmente usam a rádula para retirar algas microscópicas do substrato. Uma característica marcante dos quítons é a grande variedade de cores, formas e desenhos de suas conchas e cinturões. Sendo animais polimórficos, é comum encontrar grandes variações de cores em indivíduos de uma mesma espécie. Já foram encontrados quítons com sete e com nove valvas, além de espécimes híbridos. Essas ocorrências, porém, são raras[1]. Reprodução e desenvolvimento Desenvolvimento do quíton. Primeira imagem representa seu estado larval; a segunda, sua metamorfose. A terceira figura é um quíton jovem O processo de reprodução dos quítons é externo. Os gametas são fecundados quando liberados na água. O desenvolvimento dos ovos se dá na cavidade do manto de um dos indivíduos, podendo haver colocação de ovos em invólucros presos ao substrato. Eventualmente, pode haver fecundação ou mesmo eclosão de ovos na cavidade do manto do quíton adulto. Uma vez que os ovos eclodam, os novos espécimes passam por uma fase planctônica larval trocófora. Essas larvas, embora plactônicas, tendem a descer para o substrato[2]. Posição na cadeia alimentar Desenho de quíton retirado do Brehms Tierleben Quítons são, geralmente, micrófagos: se alimentam de algas, briozoários, diatomáceas e bactérias. Geralmente obtêm esses alimentos raspando as rochas com suas rádulas. Algumas espécies possuem a parte anterior do cinturão avançada o suficente para capturar outros pequenos invertebrados e, talvez, até pequenos peixes, de modo a poder devorá-los. Alguns quítons possuem hábitos domésticos e notívagos, ficando em um mesmo local durante os dias e saindo à noite para se alimentar. Seus predadores incluem aves marinhas, estrelas-do-mar, crustáceos maiores (como caranguejos) e anêmonas-do-mar. Os quítons gigantes do Pacífico (Cryptochiton stelleri) são comestíveis para os seres humanos, tendo sido usados como alimento por populações indígenas estadunidenses e chilenos[2] e por exploradores russos no sudoeste do Alasca[3]. Entretanto, o sabor e a textura de sua carne são considerados desagradáveis[3]. Distribuição Os quítons são geralmente encontrados em regiões litorâneas, embora também existam espécies encontradas em águas profundas, a 6 mil metros de profundidade. São encontrados em todos os oceanos, das regiões polares até os trópicos. Sua maior concentração ocorre nas regiões litorâneas da América do Norte e da Austrália, onde pelo menos metade das espécies conhecidas foram registradas[1]. No Brasil, foi documentada a ocorrência de três famílias e oito gêneros[2]. Interesse de colecionadores Concha de um Acanthopleura spinosa Pela grande variedade de suas conchas (seja em cores, formatos e desenhos) e cinturões (que podem possuir escamas - semelhante em aparência às das cobras -, pelos, espinhos ou mesmo serem lisos), os quítons são grandemente apreciados por colecionadores de conchas[1]. Espécimes raros, como aqueles possuindo sete ou nove valvas, ou híbridos, são especialmente desejados pelos colecionadores e custam caro. Colecionadores consideram mais adequado conservar os cinturões junto com a concha, ao invés de deixá-la desarticulada. Ancestrais extintos Há suspeitas que os Kimberella sejam ancestrais pré-cambrianos dos quítons. Suspeita-se que os quítons e os Wiwaxia sejam também relacionados. Taxonomia Fotografia de um Tonicella lineata Quíton negro Quítons em uma poça d'água formada pela baixa da maré Visão superior de um quíton Espécimes de Chiton tuberculatus com espécimes de Nerita tessellata A classificação taxonômica dos quítons ainda é um tanto indefinida, especialmente nos mais altos níveis do grupo. A maioria dos sistemas de classificação atuais são baseados, ao menos em parte, no Pilsbry's Manual of Conchology (1892-1894), estendido e revisado por Kaas e Van Belle entre 1985 e 1990. Como os quítons são estudados desde Lineu, há um grande número de estudos taxonômicos no nível das espécies, porém. A classificação mais utilizada atualmente[4] é baseada não somente na morfologia das conchas (como é usual) mas também em outros aspectos como o cinturão muscular, a rádula, as brânquias, ovos, espermatozóides etc. Tal classificação inclui todas as espécies conhecidas, vivas ou extintas.