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Imigração no Brasil Monumento aos imigrantes italianos em Caxias do Sul. Um navio abarrotado de imigrantes italianos partindo para o Brasil. A imigração no Brasil deixou fortes marcas na demografia, cultura e economia do Brasil. Em linhas gerais, considera-se que as pessoas que entraram no Brasil até 1822, ano da independência, foram colonizadores. A partir de então, as que entraram na nação independente foram imigrantes. Antes de 1870, dificilmente o número de imigrantes excedia a duas ou três mil pessoas por ano. A imigração cresceu primeiro pressionada pelo fim do tráfico internacional de escravos para o Brasil, depois pela expansão da economia, principalmente no período das grandes plantações de café no estado de São Paulo. Contando de 1872 (ano do primeiro censo) até o ano 2000, chegaram cerca de 6 milhões de imigrantes ao Brasil. Grosso modo, os movimentos imigratórios no Brasil podem ser divididos em cinco etapas: * ocupação inicial feita por povos nômades de origem asiática que povoaram o Continente Americano entre 10 e 12 mil anos, conhecidos como índios;[1]; * colonização, entre 1500 e 1822, feita praticamento só por portugueses e escravos provenientes da África sub-saariana; * imigração de povoamento no Sul do Brasil, iniciada, em 1824, por imigrantes alemães e que continuou, depois de 1875, com imigrantes italianos; * imigração como fonte de mão-de-obra para as fazendas de café na região de São Paulo, entre o final do século XIX e início do século XX, com um largo predomínio de italianos, portugueses, espanhóis e japoneses; * imigração para os centros urbanos em crescimento com italianos, portugueses, espanhóis e japoneses e sirio-libaneses, além de vários outras nacionalidades; * imigração mais recente, reduzida e de pouco impacto demográfico, iniciada na década de 1970. * 1 Ocupação pré-cabralina * 2 Colonização o 2.1 Etapas da colonização + 2.1.1 Século XVI + 2.1.2 Século XVII + 2.1.3 Século XVIII o 2.2 Colonização e imigração portuguesa o 2.3 Colonização e imigração africana o 2.4 Colonização e imigração de não-lusos e não-africanos * 3 Povoamento imigrante no sul o 3.1 Imigração alemã no sul o 3.2 Imigração italiana para o sul o 3.3 Imigração eslava no sul * 4 Mão-de-obra imigrante no café o 4.1 Mão-de-obra italiana o 4.2 Mão-de-obra espanhola o 4.3 Mão-de-obra japonesa * 5 Imigração urbana o 5.1 Sírio-libaneses e armênios o 5.2 Chineses e Coreanos * 6 Imigrações recentes * 7 Impacto da imigração * 8 Políticas de Imigração do Brasil o 8.1 Política de "branquemento" do país o 8.2 Lei de Cotas o 8.3 Proposta de fim de imigração de japoneses * 9 Ver também * 10 Referências * 11 Ligações externas Ocupação pré-cabralina Índia Guajajara e seu filho A tese mais aceita é de que os povos indígenas das Américas são descendentes de caçadores asiáticos que cruzaram o Estreito de Bering passando da Sibéria para a América do Norte. Estes povoadores chegaram ao atual território brasileiro há aproximadamente 12 mil anos. É notório, porém, que foi encontrado em Lagoa Santa (Minas Gerais) um crânio milenar de uma mulher, batizada de Luzia, que possuía traços negróides. É provável que também tenham vivido populações negras nas Américas, as quais foram exterminadas ou assimiladas pelos povos mongolóides muitos séculos antes da chegada dos europeus.[2] Estima-se que, no início da colonização portuguesa, cerca de quatro milhões de ameríndios viviam no atual território brasileiro[3]. Encontravam-se divididos em diversos grupos étnico-lingüísticos: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia)[4]. Colonização Etapas da colonização Século XVI Com o Descobrimento do Brasil, em 1500, o território nacional passou a ser ocupado pelos europeus. Apesar de diversas invasões promovidas por franceses e holandeses, a ocupação definitiva do Brasil ficou a cabo dos portugueses. É a partir de 1532 que o atual Brasil passa a ser efetivamente colonizado por Portugal. Antes disso, a maior parte dos colonos exploraram o pau-brasil através de suas feitorias e retornaram para a Metrópole. Apenas alguns degredados, desertores e náufragos haviam se estabelecido em definitivo, vivendo juntos às tribos indígenas. Ao contrário do que muitos pensam, os primeiros colonos não foram ladrões, assassinos ou prostitutas mandados para o Brasil. A maioria era composta por pessoas perseguidas pela Igreja por sua "falta de moral" ou por cometerem pequenos delitos: judeus, cristãos-novos, bígamos, sodomitas, padres sedutores, feiticeiras, visionárias, blasfemadores, impostores de todas as espécies.[5][6] Imigração Portuguesa para o Brasil-Colônia (IBGE) Período 1500-1700 1701-1760 1808-1817 Quantidade 100.000 600.000 24.000 A maior parte dos colonos que vieram para o Brasil não foram os degredados. Quem de fato promoveu a colonização inicial do Brasil foram as famílias ricas de Portugal, todavia não havia uma hegemonia sócio-econômica entre os colonos. Ao mesmo tempo que houve um predomínio de 90% de famílias de classe alta nas zonas mais ricas, como Pernambuco e Bahia, nas regiões periféricas, como o Maranhão, a esmagadora maioria dos portugueses eram pobres.[7] Para efetuar a colonização, o rei de Portugal dividiu a colônia em Capitanias Hereditárias que foram entregues a nobres portugueses, denominados donatários. As tentativas de exploração dos ameríndios como escravos nas plantações e engenhos de cana-de-açúcar levam a vários conflitos[8]de modo que apenas duas Capitanias Hereditárias prosperaram: Pernambuco e São Vicente. Apesar disto, a presença portuguesa se consolidou no século XVI com a criação do Governo Geral do Brasil. Embora em número bastante reduzido, os colonos portugueses conseguiram ocupar o litoral e os Ameríndios, perseguidos ou assolados por epidemias, foram migrando para o Sertão e à Amazônia. Aqueles que restaram foram escravizados, aculturados e se misturaram aos portugueses, formando uma população híbrida, mestiça, de mamelucos.[9] O índio brasileiro não suportava a escravidão. Acostumados a viver durante milênios a um meio de vida livre, nômade, a mortalidade indígena no meio escravocrata era muito alta. O índio brasileiro se negava a trabalhar para o colonizador: muitos fugiam ou se suicidavam. A situação caótica obrigou os colonos a importar mão-de-obra do continente africano. É a partir da década de 1550 que começou a aportar na colônia os primeiros navios com escravos da África. Além de resolver o problema da mão-de-obra (faltavam índios e portugueses), o tráfico negreiro era muito rentável.[10] No século XVI desembarcaram no Brasil em torno de 50 mil portugueses e 50 mil africanos.[11] Século XVII Imigrantes portugueses à espera do navio para o Brasil, século XX O desenvolvimento da cultura de cana-de-açúcar faz crescer o número de escravos africanos desembarcados na colônia, vindos sobretudo de Angola e da Costa da Mina para o litoral do Nordeste. A imigração portuguesa continuou reduzida. Portugal não tinha população suficiente para mandar grandes números de colonos para o Brasil. A população se concentra nos litorais nordestino e sudestino. O resto do País segue ocupado apenas pelos índios. No século XVII desembarcaram 550 mil africanos e 50 mil portugueses. Século XVIII O desenvolvimento da mineração trouxe para o Brasil centenas de milhares de africanos, que foram escravizados na extração de ouro. Um fato novo foi, pela primeira vez na História da colônia, a vinda de um enorme contingente de colonos portugueses. Tal surto migratório deve-se a alguns fatores: Portugal e, em particular, a região do Minho, teve uma alta taxa de crescimento populacional e, em conseqüência, superpopulação. As notícias de que na colônia sul-americana estava ocorrendo a exploração da mineração serviu como esperança para milhares de portugueses que resolveram cruzar o Oceano Atlântico e se aventurar nas Minas Gerais.[12] A imigração de casais açorianos para o litoral do Sul do Brasil foi de fundamental importância para a demografia da região.[13] No século XVIII desembarcaram um milhão e 600 mil africanos e 600 mil portugueses no Brasil. O Brasil passou a possuir a maior população africana fora da África e a maior população lusitana fora de Portugal. Colonização e imigração portuguesa Ver artigo principal: Imigração portuguesa no Brasil Entre 1500 e 1700, 100 mil portugueses se deslocaram para o Brasil, a maioria dos quais fazia parte da iniciativa privada que colonizou o País: grandes fazendeiros ou empresários falidos em Portugal que, através da distribuição de sesmarias, tentavam se enriquecer facilmente e retornar para Portugal. Dedicaram-se principalmente à agricultura, baseada no trabalho escravo, inicialmente efetuado por indígenas, mas sobretudo por escravos africanos. No século XVIII aportaram no Brasil 600 mil portugueses, atraídos pela exploração de ouro que estava ocorrendo em Minas Gerais. Já não eram exclusivamente fazendeiros e agricultores, ganharam caráter urbano e se dedicaram principalmente à exploração do ouro e ao comércio. Um mito recorrente é de que os portugueses vieram explorar o Brasil e depois retornaram para Portugal. Em contrapartida, nas Treze Colônias, os colonos ingleses foram com suas famílias tentar uma vida melhor. Seria esta a grande diferença entre a colonização do Brasil e a dos Estados Unidos. Durante muito tempo, os livros didáticos afirmaram que a América Anglo-Saxônica é rica porque foi uma colônia de povoamento, e entre os colonos figurava a elite britânica. A América Ibérica seria pobre porque foi uma colônia de exploração, povoada por degredados e criminosos. Tal tese está em decadência. Quem de fato povoou o Brasil não foram os degredados, mas a elite portuguesa. É verídico que alguns portugueses vieram explorar o Brasil e retornaram com as riquezas para Portugal, daí a origem dos termos brasileiro e mineiro, que designavam os portugueses que se enriqueceram na colônia e retornaram para a Metrópole. Porém, a grande maioria dos colonos permaneceu em definitivo no Brasil. É factível analisando a população do Brasil de 1872. Em torno de 80% dos brasileiros eram de origem portuguesa, dentre os quais havia uma população branca de 3,7 milhões, em sua esmagadora maioria de ascendência lusitana, pelo fato de que a entrada em massa de italianos e outros imigrantes só se deu a partir de 1875. Os mestiços, aqueles de origem mista entre portugueses, índios e africanos, eram 4,1 milhões. Os negros africanos perfaziam "somente" 1,9 milhões. A diferença entre as Américas ricas e as pobres tem poucas ligações com a raça de quem as colonizou. Outros fatores históricos são a base para essa distância de realidades sócio-econômicas[14] No século XIX o Brasil tornou-se independente, dando fim a colonização portuguesa no País, embora a imigração de portugueses continuasse a crescer gradativamente. No final desse século, o fluxo de imigrantes portugueses cresceu rapidamente, sendo superado apenas pelos italianos. Entre 1870 e 1950, cerca de 1,4 milhão de portugueses desembarcaram no Brasil, em sua maioria camponeses que passaram a se dedicar ao comércio. Colonização e imigração africana Ver artigo principal: Afro-brasileiro Entrada de escravos africanos no Brasil [15] Período 1500-1700 1701-1760 1761-1829 1830-1855 Quantidade 510.000 958.000 1.720.000 618.000 O tráfico internacional de escravos da África subsaariana para o Brasil foi um movimento migratório, embora forçado. Seu início ocorreu na segunda metade do século XVI, e desenvolveu-se no século XVIII, atingiu seu ápice por volta de 1845 até ser bruscamente extinto em 1850. Foi, certamente, a maior migração forçada da História Mundial. Escravos em um porão de embarcaçãoJohann Moritz Rugendas, c. 1810 Escravos em um porão de embarcação Johann Moritz Rugendas, c. 1810 O tráfico negreiro foi uma atividade altamente lucrativa e legal que pagava impostos tanto para a Coroa portuguesa quanto para a Igreja Católica (dízimo). O tráfico negreiro iniciou-se oficialmente em 1559, quando a metrópole portuguesa decidiu permitir o ingresso de escravos vindos da África no Brasil. Antes disso, porém, transações envolvendo escravos africanos já ocorriam no Brasil, sendo a escassez de mão-de-obra um dos principais argumentos dos colonos. A escravidão era utilizada nas mais desenvolvidas sociedades da África Subsaariana antes mesmo do início do tráfico negreiro para as Américas. Escravos negros eram comumente transportados através do Saara e vendidos no norte da África por mercadores muçulmanos. Estes escravos podiam ser pessoas capturados nas guerras tribais, escravizadas por dívidas não pagas ou mesmo filhos de outros escravos por várias gerações. A necessidade de trabalhadores escravos na América aumentou a procura de escravos de modo que passaram a ser organizados grupos que entravam pelo interior da África Subsaariana com o único propósito de capturar pessoas de outras nações para serem vendidas como escravos nos portos do litoral. A maior parte dos escravos africanos provinham de lugares como Angola, Guiné, Benin, Nigéria e Moçambique. Os traficantes trocavam os escravos por produtos como fumo, armas e aguardentes. Os escravos comprados eram transportados nos chamados navios negreiros principalmente para as cidades do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Luís. As péssimas condições sanitárias existentes nas embarcações, que vinham superlotadas faziam com que muitos escravos morressem, entretanto, a maior parte das mortes ocorria no transporte desde o local de captura até o porto africano de embarque. Quando desembarcavam em solo brasileiro, os escravos africanos ficavam de quarentena enquanto recuperavam a saúde e engordavam para serem vendidos em praça pública. A maior parte ainda viajava a pé para as regiões mais distantes do interior onde havia minas ou plantações. Os escravos homens, jovens, mais fortes e saudáveis eram os mais valorizados. Haviam u grande desequilíbrio demográfico entre homens e mulheres na população de escravos. No período 1837-1840, os homens homens constituíam 73,7% e as mulheres apenas 26,3% da população escrava. Além disto, os donos de escravos não se preocupavam a reprodução natural da escravaria, porque era mais barato comprar escravos recém trazidos pelo tráfico internacional do que gastar com a alimentação de crianças[16]. Em relação à grande quantidade de escravos que aqui que chegaram, a sociedade brasileira têm até poucos de seus descendentes. Ao todo, entraram no Brasil aproximadamente quatro milhões de africanos na forma de escravos.[17] Colonização e imigração de não-lusos e não-africanos O primeiros grupos de imigrantes não-lusos e não-africanos chegaram no Brasil somente depois da abertura dos portos de 1808. Excetuando os portugueses e alguns poucos estrangeiros que se tornaram súditos de Portugal, os primeiros imigrantes voluntários a vir para o Brasil foram os chineses de Macau que chegaram no Rio de Janeiro em 1808[18][19]. Cerca de 300 chineses de Macau foram trazidos pelo governo do príncipe regente (futuro rei D. João VI) com o objetivo de introduzir o cultivo de chá no Brasil. Eles tiveram importante participação na aclimatação de plantas feitas pelo recém-criado Jardim Botânico[18][19] Entretanto, a mão-de-obra livre de imigrantes estrangeiros ainda era considerada dispensável pelos grandes fazendeiros. Na primeira metade do século XIX ainda desembarcaram no Brasil cerca de um milhão e 300 mil africanos subsaarianos, certamente o maior grupo de imigrantes recebido neste período. Nova Friburgo durante sua colonização 1820-1830 Ver artigo principal: Imigração suíça no Brasil O primeiro movimento organizado, contratado pelo governo brasileiro, de imigrantes europeus foi a imigração suíça para a região serrana do Rio de Janeiro. Em 16 de maio de 1818, o príncipe regente baixou um decreto autorizando o agente do Cantão de Friburgo, Sebastião Nicolau Gachet, a estabelecer uma colônia de cem famílias de imigrantes suíços. Entre 1819 e 1820, chegaram ao Brasil 261 famílias de colonos suíços, 161 a mais do que havia sido combinado nos contratos, totalizando 1.686 imigrantes. A sua maioria era composta de suíços de cultura e língua francesa. Os imigrantes estabeleceram-se na fazenda do Morro Queimado, situada na então vila de Cantagalo. A região era conhecida pelo seu clima ameno e relevo acidentado, o mais semelhante que poderia haver no Rio de Janeiro com a Suíça. Muitos dos imigrantes suíços logo abandonaram seus lotes e se dispersaram por toda a região serrana e centro-norte do estado do Rio de Janeiro, em busca de terras férteis e mais acessíveis. O segundo movimento organizado foi de imigrantes alemães que também se estabeleceram na mesma região em 3 maio de 1824. A colônia de suíços e alemães originou a atual cidade de Nova Friburgo no Rio de Janeiro. Desde a Independência do Brasil, diversas leis proibiram o tráfico internacional de escravos para o Brasil, mas foi somente com pressão militar e política da Grã-Bretanha e a atuação do ministro Eusébio de Queiroz a partir de 1850 que terminou o tráfico negreiro. O Brasil começou então a pensar em atrair imigrantes não-portugueses. Nas fazendas, começou a se utilizar o colonato, uma forma de trabalho semi-assalariado. O imigrante e sua família recebiam o salário misto, entre dinheiro e um pedaço de terra para plantar seu próprio sustento. As jornadas de trabalho exaustivas e a exploração por parte dos fazendeiros faziam os primeiros imigrantes deixarem as plantações de café e partirem para os centros urbanos, onde se dedicaram ao comércio e à indústria. Povoamento imigrante no sul Após a independência, a imigração passou a fazer parte da política Imperial, pois o Sul do Brasil continuava despovoado e alvo da cobiça dos países vizinhos. O governo passou a incentivar a implantação de núcleo de colonos imigrantes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Imigração alemã no sul Ver artigo principal: Imigração alemã no Brasil Chegada dos primeiros imigrantes alemães ao Rio Grande do Sul, 1824 Casa alemã na cidade de Pomerode Casa alemã na cidade de Lajeado O Imperador do Brasil passou a se dedicar a ocupação das terras vazias do Sul do Brasil. Para cumprir essa tarefa, o governo brasileiro optou pela vinda de imigrantes. O Brasil acabara de se tornar independente de Portugal, portanto, os portugueses não podiam ser. A imperatriz do Brasil, Dona Leopoldina, era austríaca e, por essa razão, o Brasil optou por trazer imigrantes germânicos para o país. Os alemães tornaram-se os terceiros imigrantes europeus a se estabelecerem no Brasil, após os portugueses e os suíços que fundaram Nova Friburgo. Cidade esta, que também recebeu a primeira leva de imigrantes alemães em 3 de maio de 1824. O segundo grupo de colonos alemães aportou no Brasil em 1824. Foram recrutados pelo major Jorge Antônio Schäffer e encaminhados para o atual município de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Os colonos tiveram que construir suas próprias casas, receberam sementes para a plantação e gado para o sustento. De início, São Leopoldo não se desenvolveu. Porém, com a chegada de novos imigrantes, a colônia cresceu. A partir de São Leopoldo, os alemães desbravaram a região, seguindo o caminho dos rios. Em alguns anos, toda a região do Vale do Rio dos Sinos estava sendo ocupada pelos colonos germânicos. Em 1826, surgiu o primeiro curtume na região do vale. A seguir, foram construídos moinhos de trigo, uma fábrica de sabão, ferrarias, oficinas de lapidação de pedras, além de um número enorme de sapatarias (ainda hoje um dos maiores pólos da indústria calçadista do Brasil). A colonização continuou a medida que os alemães, em sua maioria partindo de São Leopoldo, buscavam novas terras em lugares mais distantes. Essas colônias já não eram patrocinadas pelo governo, mas colônias privadas. Colônias antigas, como Novo Hamburgo, estabelecida pouco tempo depois de São Leopoldo, serviu de apoio para a criação de colônias mais novas, como Estrela (1853), Lajeado (1853) e Teutônia (1868). Outras colônias, só foram criadas tempos depois, como Ijuí (1890), Sobradinho (1901) e Erechim(1908). Essas últimas colônias já não eram exclusivamente alemãs, pois agregavam imigrantes de outras nacionalidades. A imigração alemã no Rio Grande do Sul foi contínua. Entre 1824 e 1830 entraram no Rio Grande 5.350 alemães. Depois de 1830 até 1844 a imigração foi interrompida. Entre 1844 e 50 foram introduzidos mais dez mil, e entre 1860 e 1889 outros dez mil. Entre 1890 e 1914 chegaram mais 17 mil. Os protestantes formaram a maioria dessa corrente imigratória e igrejas luteranas foram estabelecidas nas colônias para atender aos fiéis. Porém, o número de católicos também era grande. Com o passar do tempo, a maior parte dos alemães e descendentes passaram a ser católicos. Em Santa Catarina os primeiros colonos alemães aportaram em 1829, na atual cidade de São Pedro de Alcântara. Essa colônia fracassou. A grande colonização germânica no estado só ocorreu um pouco mais tarde, a partir de 1850. A colônia de Blumenau, no vale do Rio Itajaí-Açu, foi criada por Hermann Blumenau em 1850. Acompanhado por outros 17 alemães, Hermann achou um clima da região agradável, cortada pelo rio, propícia para a fundação de uma colônia. Em 1860, ele vende a colônia para o governo imperial e em 1880, Blumenau torna-se município, contando com 15.000 habitantes, em sua maioria alemães. Em 1851, inicia-se a colonização de outra região de Santa Catarina, a partir da fundação da Colônia Dona Francisca, atualmente Joinville. Entre 1850 e 1888, chegaram à região 17.000 colonos alemães, em sua maioria protestantes, agricultores sem recursos, comerciantes e artesões. A partir dessa colônia, os alemães se expandiram e colonizaram todo o norte de Santa Catarina. No caso do Paraná, a colonização alemã foi mais sensível, porém, não menos importante. Em 1829 chegaram os primeiros colonos germânicos, na atual cidade de Rio Negro. Novas correntes chegariam nas décadas seguintes, mas só a partir de 1870 que a colonização cresceu. Em 1878, alemães vindos da região do Rio Volga, na Rússia, estabeleceram-se nos Campos Gerais, perto das atuais cidades de Ponta Grossa e Lapa. A maior parte dos colonos germânicos só chegaram no século XX, vindos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Imigração alemã para o Brasil (1824-1969)(IBGE) Período 1824-47 1848-72 1872-79 1880-89 1890-99 1900-09 1910-19 1920-29 1930-39 1940-49 1950-59 1960-69 Quantidade 8.176 19.553 14.325 18.901 17.084 13.848 25.902 75.801 27.497 6.807 16.643 5.659 Imigração italiana para o sul Ver artigo principal: Imigração italiana no Brasil Casa de pedra em Nova Veneza: marco da colonização italiana. As primeiras colônias italianas do Sul do Brasil nasceram nas serras gaúchas, entre os vales dos rios Caí e das Antas, limitando-se ao norte com os campos de Cima da Serra, e ao sul com as colônias alemãs do vale dos rios das Antas e Caí. Os italianos foram atraídos para o Sul do Brasil com o intuito de substituir a colonização alemã, pois, na Alemanha, criara-se mecanismos para impedir a imigração para o Brasil, pois muitas denúncias contra essa imigração eram feitas, tendo em vista que muitos passavam privações no país. Os colonos alemães, assim que chegavam ao Rio Grande do Sul, rumavam para as colônias já estabelecidadas, apartando-se de se aventurar nas matas fechadas das serras. Para ocupar as matas fechadas, optou-se pela vinda de imigrantes italianos. No ano de 1875, foram criadas as colônias Conde D'Eu e Dona Isabel, atuais Bento Gonçalves e Garibaldi. No mesmo ano, criou-se a colônia Caxias (atualmente Caxias do Sul) e em 1877 Silveira Martins. A partir dessas quatro colônias, os italianos passaram a se expandir pelas regiões das serras. A maior parte desses imigrantes eram camponeses vindos do Norte da Itália, e se tornavam pequenos cultivadores no Brasil. Caxias do Sul tornou-se a colônia mais próspera da região, servindo de base para o surgimentos de diversas outras, como Mariana Pimentel (1888), Barão do Triunfo (1888), Vila Nova de Santo Antonio (1888), Jaguari (1889), Ernesto Alves (1890) e Marquês do Herval (1891). Ali plantavam produtos de subsistência, como o milho e o trigo. Mas o cultivo que marcou sua presença no Rio Grande do Sul foi a videira. Em um cálculo aproximado, estima-se que do total de imigrantes que veio para o estado, 54% era de vênetos, 33% de lombardos, 7% de trentinos, 4,5% de friulanos e as outras regiões forneceram os restantes 1,5%. Calcula-se que, entre 1875 e 1914, entraram no estado entre 80 e 100 mil italianos. Imigração italiana para o Brasil (1876-1920)[20] Região de Origem Quantidade Região de Origem Quantidade Vêneto 365.710 Sicília 44.390 Campânia 166.080 Piemonte 40.336 Calábria 113.155 Puglia 34.833 Lombardia 105.973 Marche 25.074 Abruzzo-Molise 93.020 Lácio 15.982 Toscana 81.056 Úmbria 11.818 Emília-Romagna 59.877 Ligúria 9.328 Basilicata 52.888 Sardenha 6.113 Total : 1.243.633 Em Santa Catarina, imigrantes italianos vindos da Sardenha já habitavam a região da Nova Itália (hoje São João Batista) desde 1836. Porém, a imigração só começaria de fato em 1875. Foram criadas as colônias de Rio dos Cedros, Rodeio, Ascurra e Apoiúna, em torno da colônia alemã de Blumenau; Porto Franco (atual Botuverá) e Nova Trento, em torno da colônia Brusque. A colonização italiana se deu em maior expressividade no sul do estado, no vale do rio Tubarão, as colônias de Azambuja, Pedras Grandes e Treze de Maio: no vale do Urussanga, os núcleos de Urussanga, Acioli de Vasconcelos (atual Cocal) e Criciúma. Outras colônias foram criadas e ocupadas por italianos vindos do Rio Grande do Sul. No Paraná, os primeiros colonos italianos chegaram em 1878 e se fixaram no litoral, porém pouco tempo depois partiram para a região de Curitiba, se fixando em diversas cidades. Neste estado, os italianos vieram principalmente trabalhar na produção do café, efetuando uma colonização diferente daquela do Rio Grande e Santa Catarina e mais semelhante com a imigração em São Paulo. Imigração eslava no sul Arquitetura ucraniana no Parque Tingüi, em Curitiba Ver artigo principal: Imigração ucraniana no Brasil Os povos eslavos, em sua maioria poloneses, formaram a maior corrente imigratória no estado do Paraná. Entre 1869 e 1920, estima-se que 60.000 poloneses entraram no Brasil, dos quais 95% estabeleceram-se no Paraná, nas colônias de Mallet, Cruz Machado, São Mateus do Sul, Irati e União da Vitória e na região de Curitiba. Em menor quantidade, rumaram para o interior dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os ucranianos também rumaram em sua maioria para o Paraná e colonizaram a região de Prudentópolis. Imigrantes russos também vieram, mas em pouca quantidade. Os imigrantes eslavos s dedicaram-se principalmente à agricultura com plantações de milho, feijão, repolho, batata, etc. Difundiram o uso do arado e de outras técnicas agrícolas no Paraná. Trouxeram consigo um modelo de carroça tipicamente eslava, utilizada até hoje no Paraná para o transporte de materiais e de produção agrícola. Mão-de-obra imigrante no café Capa da revista "O Imigrante", 1908 Porto de Santos, porta de entrada de milhões de imigrantes que foram para as plantações de café O momento mais importante da história da imigração no Brasil iniciou-se no fim do século XIX. Este processo imigratório, incentivado pelo governo e pelos senhores do café, objetivava utilizar trabalhadores europeus nas plantações de café. A entrada de escravos africanos no Brasil terminou bruscamente em 1850. A baixa expectativa de vida e a quantidade muito maior de homens[16] fez com que a população escrava pouco se reproduzisse. Por volta de 1880, a mão-de-obra escrava estava notoriamente envelhecida[21] e a quantidade de mão-de-obra brasileira, livre ou escrava, era insuficiente para atender à expansão das lavouras de café no estado de São Paulo. Em 1878, dez anos antes da Abolição da Escravatura, o Congresso Agrícola realizado no Rio de Janeiro reuniu cafeicultores para discutir a questão da mão-de-obra. Optou-se por pressionar o governo a fim de facilitar a vinda de imigrantes europeus[22]. A expansão das colheitas de café atraíram 70% dos mais de cinco milhões de imigrantes desembarcados no Brasil. Entre 1820 e 1903, desembarcaram no Brasil cerca de um milhão e 140 mil italianos, 549 mil portugueses, 212 mil espanhóis e 89 mil alemães [23]. Em números menores, pessoas de todos os cantos da Europa. A imigração continuou alta durante o início do século XX diminuindo após a década de 1930. Entraram nesse período diversos grupos de imigrantes no Brasil, dos mais numerosos, entre 1904 e 1972, desembarcaram um milhão e 240 mil portugueses, 484 mil italianos, 505 mil espanhóis, 248 mil japoneses e 171 mil alemães[23]. Em números menores, pessoas de todos os cantos da Europa. Os imigrantes passam a compor a maior parte dos operários nas fábricas e primeiras indústrias brasileiras.[24]. Mão-de-obra italiana Italianos embarcando na Itália com destino ao Brasil, 1910 Ver artigo principal: Imigração italiana no Brasil A mão-de-obra italiana foi a mais usada durante o ciclo do café no Brasil. Os italianos passaram a imigrar em larga escala pois, a maioria sendo camponesa, não tinham acesso às terras na Itália. Com a esperança de se tornarem proprietários de terras, imigravam para o Brasil. Mas chegando aqui, apenas aqueles que eram encaminhados para o Sul do país tornaram-se proprietários, enquanto a massa que foi mandada para as fazendas de café iam trabalhar nas plantações de terceiros. Com o fim da escravidão, iniciou-se a entrada de centenas de milhares de italianos no Brasil. Entre 1870 e 1920, momento áureo do largo período denominado como da "grande imigração", os italianos corresponderam a 42% do total dos imigrantes entrados no Brasil, ou seja, em 3,3 milhões de pessoas, os italianos eram cerca de 1,4 milhão. Mão-de-obra espanhola Ver artigo principal: Imigração espanhola no Brasil Embora a colheita do café tenha sido marcada pelo largo uso da mão-de-obra de imigrantes italianos, os espanhóis tornaram-se o segundo maior grupo a trabalhar nos cafezais. A imigração espanhola no Brasil iniciou-se na década de 1880. No início do século XX, a imigração de italianos para o Brasil passou a arrefecer, então o governo brasileiro passou a atrair maior contingente de espanhóis, mandando-os para trabalhar nas colheitas de café. Mais de 750 mil espanhóis desembarcaram no Brasil entre 1880 e 1950, a maior parte rumou para os cafezais paulistas. Mão-de-obra japonesa Cartaz japonês promovendo a imigração ao Brasil Ver artigo principal: Imigração japonesa no Brasil Em 1902, o governo da Itália proibiu a imigração subsidiada de italianos para São Paulo. As fazendas de café passaram a sentir a falta de trabalhadores com a diminuição drástica da chegada de imigrantes italianos. Apesar do nítido preconceito contra imigrantes asiáticos, a partir de 1908, o governo brasileiro passou a aceitar a entrada de imigrantes japoneses. Nos primeiros sete anos, vieram mais 3.434 famílias(14.983 pessoas). Com o começo da I Guerra Mundial (1914), explodiu a imigração: entre 1917 e 1940, vieram 164 mil japoneses para o Brasil. 75% foram para São Paulo, visto que o estado concentrava a maior parte dos cafezais. Imigração urbana No século XX o Brasil passou por um processo de urbanização. Milhares de pessoas deixaram o campo em busca de melhores condições de vida nas cidades, entre eles, muitos imigrantes. Na cidade de São Paulo, por exemplo, os italianos se aglomeraram em regiões como a Mooca e Bela Vista, formando um grande número de imigrantes urbanos. Com isso, cresceu o número de operários trabalhando na indústria brasileira. Os imigrantes europeus trouxeram idéias novas que estavam acontecendo na Europa, como o anarquismo, sindicalismo, socialismo e formaram greves operárias que rapidamente se alastraram pelo país. Imigrantes tipicamente urbanos, como os portugueses, sírios, libaneses e espanhóis se dedicaram em grande parte ao comércio nas cidades. O século XX também viu crescer o número de judeus desembarcados no Brasil. Sírio-libaneses e armênios Armarinho sírio em São Paulo, 1950 Ver artigo principal: Imigração árabe no Brasil Os imigrantes árabes começaram a desembarcar no Brasil em fins do século XIX. No início do século XX, esse fluxo imigratório cresceu e passou a se tornar importante desembarcando no Brasil cerca de 70 mil árabes. Em sua maioria, eram comerciantes sírios e libaneses que se tornaram mascates no Brasil, percorrendo as grandes cidades e as fazendas do interior para vender seus produtos. Com o passar do tempo, passaram a fundas pequenas lojas de comércio (armarinhos) nos centros urbanos e prosperaram. Ficaram conhecidos como "turcos", pois, no início da imigração, sírio-libaneses eram cidadãos (árabes) do Império Turco-Otomano. O fluxo de imigrantes sírio-libaneses também foi acompanhado por armênios que viviam em regiões próximas. Chineses e Coreanos Ver artigo principal: Imigração coreana no Brasil A medida que cessava do fluxo de imigrantes japoneses, aumentou o fluxo de imigrantes oriundos de territórios que tinham pertencido ao Japão como chineses de Taiwan e coreanos. É interessante notar que estes imigrantes que chegavam no Brasil nas décadas de 1960 e 1970 eram pessoas que tinham aprendido a falar fluentemente japonês nas escolas durante o período de ocupação japonesa. Chineses e coreanos geralmente dedicaram-se ao pequeno comércio das grandes cidades, especialmente São Paulo. Imigrações recentes Apesar de ter deixado de ser atraente para imigrantes no meio da década de 1970 e de ter se tornado um país de emigração depois da década de 1980, o país ainda recebe alguns imigrantes. Mais recentemente, a partir da década de 1970, vê-se um razoável crescimento na entrada de imigrantes no Brasil, vindos principalmente da Coréia do Sul, China, Bolívia, Peru, Paraguai e de países africanos. Estes imigrantes, porém, não têm o impacto demográfico que tiveram as outras imigrações mais antigas no Brasil.[25] Assim, destacam-se recentemente os imigrantes bolivianos que são empregados nas pequenas indústrias de roupas de São Paulo, em geral propriedade de imigrantes coreanos. Impacto da imigração A população brasileira foi formada pela união de seus habitantes indígenas aos milhões de imigrantes que chegaram ao longo de quinhentos anos. A diversidade étnica e cultural do Brasil deve-se em grande parte às diversas nacionalidades que escolheram ou foram obrigadas (no caso dos africanos subsaarianos) a emigrar. A miscigenação de diferentes raças compõe, assim, o rico mosaico étnico-cultural brasileiro. Imigração para o Brasil, por nacionalidade e períodos(IBGE) Período Nacionalidade 1884-1893 1894-1903 1904-1913 1914-1923 1924-1933 1945-1949 1950-1954 1955-1959 Alemães 22.778 6.698 33.859 29.339 61.723 5.188 12.204 4.633 Espanhóis 113.116 102.142 224.672 94.779 52.405 4.092 53.357 38.819 Italianos 510.533 537.784 196.521 86.320 70.177 15.312 59.785 31.263 Japoneses - - 11.868 20.398 110.191 12 5.447 28.819 Portugueses 170.621 155.542 384.672 201.252 233.650 26.268 123.082 96.811 Sírios e Libaneses 96 7.124 45.803 20.400 20.400 N/A N/A N/A Outros 66.524 42.820 109.222 51.493 164.586 29.552 84.851 47.599 Total 883.668 852.110 1.006.617 503.981 717.223 80.424 338.726 247.944 Políticas de Imigração do Brasil Política de "branquemento" do país No final do século XIX, a elite branca do Brasil acreditava que os trabalhadores brasileiros eram incapazes de desenvolver o País por serem, em sua grande maioria, negros e mestiços. Portanto, o recebimento de imigrantes europeus serviria também para branquear os brasileiros através da miscigenação[26]. A política de imigração não era considerada somente um meio de ocupar e colonizar o território, mas também de "melhorar" a população brasileira com o aumento da quantidade de europeus. Deve-se ressaltar que esta política não foi típica do Brasil, mas de vários países do mundo com elites de origem européia. Em geral, estes países, como por exemplo os Estados Unidos, restringiram até a entrada de imigrantes do sul da Europa (italianos, espanhóis, portugueses, gregos, etc} enquanto beneficiavam a entrada de imigrantes do norte da Europa (ingleses, escoceses, alemães, suecos, noruegueses, etc). Houve segmentos que sugeriram a vinda de imigrantes da África ou da China para o Brasil. Chegou até a haver uma incipiente imigração de chineses, porém não houve continuidade, pois apenas europeus eram considerados civilizados o suficiente para imigrarem para o Brasil[27]. Em 1890, o presidente Deodoro da Fonseca e pelo ministro da Agricultura Francisco Glicério assinaram o decreto no 528 que determinava que a entrada de imigrantes da África e da Ásia dependeria da autorização do Congresso Nacional. O mesmo decreto não restringia, até incentivava, a imigração de europeus. O decreto teve que ser revogado em 1907 para permitir a entrada de imigrantes japoneses[19]. Refletindo o ideal de "branqueamento", João Batista de Lacerda, diretor do Museu Nacional, e único sulamericano a apresentar um relatório no I Congresso Universal de Raças, em Londres, no ano de 1911, afirmou que: "no Brasil já se viram filhos de métis apresentarem, na terceira geração, todos os caracteres físicos da raça branca[...]. Alguns retêm uns poucos traços da sua ascendência negra por influência dos atavismo(...) mas a influência da seleção sexual (...) tende a neutralizar a do atavismo, e remover dos descendentes dos métis todos os traços da raça negra(...) Em virtude desse processo de redução étnica, é lógico esperar que no curso de mais um século os métis tenham desaparecido do Brasil. Isso coincidirá com a extinção paralela da raça negra em nosso meio". Na primeira metade do século XX, as "teses científicas" de eugenia racial predominaram no pensamento científico nacional reproduzindo o prestígio que tinham no exterior. A partir de então, a proposta de "branqueamento" da população brasileira com imigrantes europeus passou a ser discutida como se fosse ciência. Um dos maiores ideólogos do "branqueamento" da população brasileira foi Francisco José de Oliveira Viana, autor do livro clássico "Populações Meridionais do Brasil", publicado em 1918[28]. Outro defensor brasileiro destas idéias foi Nina Rodrigues, considerado o criador da Medicina Legal que escreveu: "a civilização ariana está representada no Brasil por uma fraca minoria da raça branca a quem ficou o encargo de defende-la (...) (dos) atos anti-sociais das raças inferiores ...". Em 1902, o governo da Itália emitiu o decreto Prinetti que proibiu a imigração subsidiada de italianos para o Brasil. As fazendas de café sentiram a falta de trabalhadores com a diminuição da chegada de imigrantes e, então, o governo brasileiro passou a aceitar o recebimento de imigrantes japoneses, que se iniciou em 1908. Lei de Cotas Durante a Assembléia Nacional Constituinte de 1933, a idéia de "branqueamento" da população brasileira com imigrantes europeus foi defendida pelos médicos e deputados Miguel Couto (eleito pelo Distrito Federal, hoje Rio de Janeiro), Artur Neiva da Bahia e Antonio Xavier de Oliveira do Ceará. Juntos, eles pediam, principalmente, o fim da imigração dos degenerados "aborígenes nipões" (japoneses)[28]. O resultado foi a aprovação por larga maioria de uma lei que estabelecia cotas de imigração sem fazer menção a raça ou nacionalidade, e proibia a concentração populacional de imigrantes. Segundo o texto constitucional, o Brasil só poderia receber, por ano, no máximo 2% do total de ingressantes da cada nacionalidade que tinha sido recebida nos últimos 50 anos. Apenas os portugueses foram excluídos dessa lei. Esta lei pouco afetou a imigração de europeus como italianos e espanhóis que já tinham entrado em grande quantidade no Brasil e cujo fluxo migratório era descendente. Entretanto, o regime de cotas, que irá vigorar até a década de 80, restringiu a imigração de japoneses, assim como, futuramente, a de coreanos e chineses. Com isso, a imigração foi gradativamente decaindo. Com as crises econômicas, o Brasil deixou de ser um país atrativo para os imigrantes. Proposta de fim de imigração de japoneses A Assembléia Nacional Constituinte de 1946 votou uma emenda no 3165 proposta pelo deputado carioca Miguel Couto Filho que dizia apenas: "É proibida a entrada no país de imigrantes japoneses de qualquer idade e de qualquer procedência". Na votação final, houve um empate com 99 votos contra e 99 a favor. O senador Fernando de Melo Viana, que presidia a sessão constituinte, exerceu então o voto de Minerva recusando a emenda. Por apenas um voto, a imigração de japoneses não foi proibida pela Constituição de 1946[28].