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Feitorias portuguesas As feitorias portuguesas foram uma instituição originária da Europa, que cumpriu um papel de elo comercial, que os portugueses espalharam em África, Índico e Brasil. As feitoria eram organizações de mercadores de um estado, residentes num mesmo local fora das suas fronteiras. Esta organização visava a defender os seus interesses comuns, prioritariamente económicos (mas também de segurança), possibilitando a manutenção de relações comerciais regulares e constantes no local onde estão sediados. No norte de África, por exemplo, a feitoria visava a atrair as rotas próximas percorridas por mercadores muçulmanos, tentava-se desta forma implantar um mercado para monopolizar a actividade comercial da zona. Comercialmente, a mais antiga feitoria portuguesa havia sido estabelecida em Flandres, a Feitoria em Antuérpia. Sendo a primeira, estabelecida pelos portugueses em África, O castelo de Arguim. No Brasil, a primeira feitoria portuguesa foi a do Cabo Frio, fundada por Américo Vespúcio, em 1504. Logo depois, vieram as de Santa Cruz, do Rio de Janeiro e de Igaraçu e da ilha de Itamaracá (Pernambuco). Dá-se assim, um circuito, no qual os portugeses cumprem o papel de ligação entre uma zona "centro" do sistema económico do século XIV e século XV, através das suas feitorias na Flandres, Inglaterra, Veneza, Constantinopla e Andaluzia e uma zona "periférica" com as feitorias de África, Índico e Brasil. Podemos mesmo dizer que as feitorias constituiram as bases da construção de um sistema económico à escala mundial , o inicio da globalização. No século XVII, entraram em decadência, tornaram-se um instrumento pesado, quer pelo encurtamento das distâncias no globo (navios mais rápidos) quer pelos custos associados á sua existencia. Bibliografia RAU, Virginia - "Feitores e feitorias - "Instrumentos" do comércio internacional português no Séc. XVI", Brotéria, Vol. 81, nº 5, 1965